“Você não sabe”, disse Maya em voz baixa.
“Eu… o médico disse que era controlável”, gaguejou Rebecca. “Ele nos deu remédios. A babá… ela era treinada… a babá fixa… ela parou há dois dias, mas eu não achei que ela tivesse deixado passar nada…”
A voz de Maya mudou, tornando-se clínica e focada.
“Ele está desidratado por causa do voo”, disse ela. “Ele está estressado, provavelmente combatendo uma infecção leve. Se ele perdeu doses da medicação, seu sistema adrenal está entrando em colapso. Ele está entrando em crise adrenal. Se não o tratarmos nos próximos oito a dez minutos, seu coração pode parar.”
A pequena cabine de primeira classe mergulhou em absoluto silêncio.
Rebecca encarou a menina de doze anos que acabara de brutalizar por dez minutos.
Então, pela primeira vez em uma longa carreira política baseada em nunca ceder, ele desmoronou.
“Ajude-o”, ela sussurrou. “Por favor. Por favor, ajude meu bebê.”
Maya ficou paralisada por meio segundo. Todos os olhares na primeira classe estavam voltados para ela.
O empresário pigarreou.
“O corpo dele não consegue produzir cortisol suficiente”, explicou Maya. “O sistema adrenal dele está entrando em colapso. Sem tratamento, ele entrará em choque. Então, o coração dele vai parar.”
“Meu Deus”, sussurrou Rebecca. “O que vamos fazer?”
Jessica voltou com o kit vermelho de primeiros socorros.
Maya abriu a caixa de repente. Estetoscópio. Gaze. Seringas. Ampolas.
Ele encontrou o que desejava que estivesse lá: hidrocortisona injetável.
Duas ampolas de 100 mg cada.
“Jessica”, disse Maya, “bate na porta. Peça paramédicos com soro fisiológico e glicose intravenosos, e transporte pediátrico. Diga a eles: crise adrenal, menino de onze meses, aproximadamente dez quilos, paciente com hiperplasia adrenal congênita conhecida, suspeita de doses de insulina omitidas.”
Jessica olhou fixamente para ela.
“Como…?”
“Por favor”, disse Maya. “Só temos alguns minutos.”
Jessica atendeu o interfone.
Maya deitou Andrew delicadamente nos assentos vazios da segunda fila. Com uma mão, abriu o zíper da mochila e tirou o estetoscópio do pai; o tubo prateado refletia a luz da cabine.
CURE COM AMOR – PAPAI.
Ele pressionou o diafragma contra o peito de Andrew.
“Frequência cardíaca de 180”, disse ele. “Respiração rápida e superficial.”
Ela olhou para os adultos ao seu redor: o empresário, a velha senhora, Jessica e Rebecca, que minutos antes a haviam chamado de mentirosa e vigarista.
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