O apartamento era minúsculo: um apartamento limpo de dois cômodos com cheiro de tinta fresca. Ferramentas estavam sobre a mesa; uma estante improvisada ficava em um canto.
O pai a conduziu até a cozinha e sentou-se em frente a ela.
“Você encontrou o panfleto”, disse ele, sem fazer nenhuma pergunta.
“Eu encontrei.”
Ela colocou as mãos sobre a mesa: grandes e calejadas. Marina se lembrou daquelas mãos: elas a carregaram nos ombros quando foram ao parque.
“Não me atrevi a voltar”, disse ela baixinho. “Pensei que você me odiasse. Sua mãe tinha razão em uma coisa: naquela época eu bebia, perdia o controle… Eu era má.”
“Por que você não voltou mais tarde?”
“Eu estava com medo. Você cresceu sem mim… que bem eu poderia ter feito a você? Então, juntei algum dinheiro. Pensei: pelo menos o dinheiro pode te ajudar.” Ele trabalhava em turnos, morava em um alojamento e economizava cada centavo.
Marina olhou para ele, sem saber ao certo o que sentia. Raiva? Pena? Alívio?
“Mamãe disse que você tinha outra família.”
“Eu não tinha ninguém. Só havia você.”
Ele olhou para cima e Marina viu que seus olhos estavam marejados.
“Você pode me odiar, Marinotchka. Eu mereço.”
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