No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

Ele permaneceu em silêncio. Então se levantou, aproximou-se dela e colocou a mão em seu ombro.

“Eu não te odeio.”

Ele cobriu a mão dela com a sua e a apertou com força, como se tivesse medo de soltá-la.

Marina só voltou para casa na manhã de 1º de janeiro. Ela passou a noite em um hotel; seu pai lhe deu dinheiro, a acompanhou e disse: “Volte quando quiser”.

Ela comprou algumas roupas, sapatos de verdade. Depois foi visitar Victor.

Ele não abriu a porta imediatamente. Estava desgrenhado, inchado e vestindo calças de moletom.

“Ah, é você”, disse ele, coçando a barriga. “Tudo bem, entre. Você limpa o chão e a gente esquece isso, tá bom?”

Marina entregou-lhe um envelope.

“O que tem dentro?” Ele pegou e abriu. Uma petição de divórcio. E algumas chaves.

Seu rosto ficou cinza, depois vermelho.

—Você enlouqueceu? Acha que alguém algum dia vai te amar? Olha só pra você… Quem ia te amar, sua boneca velha e acabada?

Marina se virou em direção às escadas. Victor segurou seu braço.

—Espere! Aonde você vai? Vinte anos juntos! Eu te alimentei, eu te vesti!

—Eu me alimentei.

“Com o seu salário você não consegue nem comprar pão! Sem mim, você vai morrer debaixo de uma ponte!”

Marina deu um passo para o lado.

—Adeus, Victor.

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