No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

“Na conta, com juros…” Ele olhou para a tela novamente e baixou a voz. “São mais de doze milhões.”

Marina não entendeu de início. Ela pediu que a caixa repetisse. A caixa repetiu claramente, sílaba por sílaba.

“Há também uma mensagem do remetente. Gostaria de vê-la?”

Marina assentiu com a cabeça. A caixa virou a tela em sua direção. Na tela, um endereço — em sua cidade, um bairro de prédios antigos de cinco andares — e duas linhas:

“Com licença. Entre, se puder.”

O guich

Etière chamou um táxi e emprestou seu suéter para Marina cobrir o roupão. O motorista não fez perguntas; apenas olhou pelo retrovisor.

O endereço me pareceu familiar: o bairro onde Marina havia crescido. Prédios desbotados, escadas descascadas, um parquinho com balanços enferrujados.

Ele subiu até o terceiro andar e ficou parado por um longo tempo em frente à porta, sem ousar bater. Então, tocou a campainha.

Um homem abriu a porta: alto, de cabelos grisalhos, vestindo roupas de trabalho. Ele olhou para ela e seu rosto se contraiu.

“Marinotchka…”, ele sussurrou.

Ela permaneceu em silêncio.

“Entre”, disse ele, dando um passo para o lado com a voz rouca.

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