A mulher ficou paralisada.
“Mas eu não consigo…”
“Sim, você pode. Volte quando puder, é só isso.”
A mulher apertou o pacote com força; seus olhos brilhavam.
“Obrigado… Você não faz ideia do que isso significa para você neste momento.”
Quando ele saiu, o pai se aproximou de Marina.
“Você fez a coisa certa.”
“Eu sei o que é.”
Naquela noite, depois que a padaria fechou, Marina sentou-se perto da janela com uma xícara de chá. Seu pai, ao lado dela, consertava um banquinho. Lá fora, a neve derretia e as poças brilhavam no asfalto.
“No que você está pensando?”, perguntou ele.
Que coisa mais estranha.
O que há de tão estranho nisso?
Se Victor não tivesse me expulsado naquela noite, eu nunca teria encontrado o livrinho. Eu não teria sabido da sua existência. Eu o teria guardado, achando que era normal.
Seu pai deixou a ferramenta.
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