No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

No dia 31 de dezembro, meu marido me expulsou de casa, sem um tostão. Tremendo de frio, coloquei a mão no bolso do meu velho casaco…

Às vezes, o azar chega exatamente no momento certo.

Sim.

Eles permaneceram em silêncio. Então Marina tirou o casaquinho antigo da menina — o mesmo, com o forro rasgado — de uma gaveta e o colocou sobre a mesa.

“Por que você está guardando isso?”, perguntou o pai dela. “Para me lembrar. Que tudo pode mudar da noite para o dia. E que, às vezes, as coisas mais preciosas estão escondidas onde menos se espera.”

O pai assentiu com a cabeça. Pegou a jaqueta e passou a mão pelo tecido gasto.

Naquela época, eu ficava pensando: E se sua mãe jogar fora? E se você nunca encontrar? Todo mês eu enviava o dinheiro e tinha medo de que fosse tudo em vão. “Mas não foi em vão.”

“Agora eu entendi.”

Marina olhou para ele: seus cabelos grisalhos, seus olhos cansados, suas mãos que trabalharam para ela por vinte anos. E ela entendeu: não estava sozinha. Nunca estivera.

Lá fora, os postes de luz se acenderam. A cidade se preparava para o anoitecer. Marina terminou seu chá, levantou-se e começou a arrumar a mesa. Seu pai a ajudou. Eles se moviam em silêncio, naturalmente, como se sempre tivessem vivido juntos.

E aquele silêncio falou mais alto do que todas as palavras que Victor proferiu em vinte anos.

Marina apagou a luz e trancou a padaria. Seu pai a esperava do lado de fora. Caminharam juntos pela cidade ao entardecer: duas pessoas que estavam perdidas e que se reencontraram.

Às vezes, é preciso perder tudo para entender o que se tem.

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