—Camila sempre foi… sentimental demais. Ela não entende como o mundo funciona.
Coloquei o copo cuidadosamente sobre a mesa.
“Entendo perfeitamente”, eu disse. “É por isso que parei de jogar pelas suas regras.”
Tirei um pequeno envelope da minha bolsa. Não era grosso. Não tinha nada de especial. Era apenas um envelope.
Entreguei ao meu pai.
“O que é isto?”, perguntou ele, desconfiado.
“Seu recibo”, eu disse. “Para que você se lembre que nem tudo que você compra permanece comprado.”
Ele abriu o envelope franzindo a testa. Dentro havia uma única folha de papel: uma notificação formal. Elena Robles não estava fingindo; ela estava sendo precisa.
Foi a confirmação de que eu havia adquirido, de forma legal e transparente, uma participação minoritária, porém estratégica, em uma empresa de mídia que, sem o conhecimento do meu pai, era fundamental para uma de suas campanhas de relações públicas mais importantes. Não era uma ameaça vazia: era uma forma de pressão. Uma pressão que eu não pretendia usar para destruir, mas para impedi-lo de continuar me esmagando impunemente.
Sua expressão mudou. Um momento de perplexidade. Depois, um lampejo de alarme.
“O que você está fazendo?”, ele sussurrou.
Olhei para ele com calma.
—Vou garantir que você nunca mais tenha o poder de contar a minha história por mim.
Valéria engoliu.
—Você… fez isso sozinho?
“Sim”, respondi. “Sozinha. Como sempre tive que fazer.”
Meu pai apertou o papel até que ele ficasse amassado.
—Isto é guerra.
Balancei a cabeça negativamente.
—Não, pai. Isso é um limite.
Silêncio.
Então minha mãe falou, com uma voz baixa, mas firme — uma voz que eu não sabia que ela tinha.
—Camila tem razão.
Meu pai olhou para ela, surpreso. Como se não reconhecesse a mulher com quem havia vivido por décadas.
“Você também?”, disse ele, incrédulo.
Minha mãe ergueu o queixo.
—Sim. Eu também. Estou cansado.
E esse foi o verdadeiro ponto de virada: não fui eu quem derrubou o castelo, mas sim o fato de que, pela primeira vez, as muralhas deixaram de sustentá-lo.
Valéria pousou o copo na mesa com um leve toque. Seus olhos brilhavam.
“Eu não sabia…”, disse ela, mais para si mesma do que para nós. “Eu poderia jurar que… que eu era a escolhida.”
Olhei para ela com uma estranha tristeza, porque compreendi que a sua “vitória” também tinha sido uma prisão.
“Você era”, eu lhe disse. “Mas o preço de ser ‘a escolhida’ é que um dia você descobre que não foi escolhida por amor. Você foi escolhida por utilidade.”
Diego tentou tocar o braço de Valeria.
—Eu te amo…
Valéria o empurrou como se ele a estivesse queimando.
“Você me ama, ou me escolheu por conveniência?”, ele sussurrou.
Para ver os tempos de cozimento completos, vá para a próxima página ou clique no botão (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos do Facebook.
Leave a Comment