Diego não respondeu.
Mateo pegou na mão da esposa e se virou para os convidados, respirando fundo.
“Sinto muito por isso”, disse ela, elevando a voz o suficiente. “Hoje era para ser um dia de alegria. E será.”
Ele se virou para mim.
—Cami, fique. Se você quiser.
Olhei para ele e senti um aperto no peito. Não era o final perfeito de uma história. Era melhor: era real.
“Eu vou ficar”, eu disse. “Mas por você.”
Mateo assentiu com a cabeça.
Meu pai ficou parado por alguns segundos, olhando ao redor: seu filho, sua esposa, sua “filha perfeita” destruída por uma verdade, e o homem que ele havia comprado — agora exposto como um covarde.
Ele não disse mais nada. Simplesmente se virou e voltou para a sala de estar, como se precisasse recuperar o fôlego em algum lugar onde ainda pudesse estar no comando.
Valéria ficou ali parada, tremendo. Ela olhou para Diego e depois para mim.
—Camila… —disse ele, e sua voz era nova, monótona, sem armadura—. Eu… eu não sei o que dizer.
Respirei fundo. Por um instante, vi a garotinha que talvez também quisesse ser amada da maneira correta.
—Não diga nada hoje—eu respondi. —Apenas… pense em quem você quer ser quando ninguém estiver te recompensando.
Ela assentiu com a cabeça, com lágrimas silenciosas entrecortadas.
Diego olhou para mim uma última vez, como se esperasse que eu o punisse com palavras. Eu não lhe dei esse presente. Ele não merecia mais a minha atenção.
Saí andando com Mateo e minha mãe. Sentamos em uma mesa lateral. Minha mãe pegou minha mão por baixo da toalha de mesa, como se tivesse medo de que eu desaparecesse de novo.
“Perdoe-me”, ele sussurrou.
Apertei os dedos dele.
“Não vou voltar a ser o que era”, eu disse. “Mas posso começar algo novo.”
Minha mãe chorou, e desta vez não foi de culpa, mas de esperança.
Mais tarde, quando a música ficou mais alta e a festa começou a terminar, vi Valéria sozinha num canto, encarando o anel como se ele a estivesse sobrecarregando. Vi Diego ao longe, conversando com um cara, tentando agir normalmente. Vi meu pai de longe, rígido, com um sorriso falso. Seu mundo não havia desmoronado completamente, mas ele tinha recebido a primeira rachadura que não podia ignorar.
E eu… eu estava ao lado do meu irmão, rindo com a esposa dele, sentindo o ar quente de Monterrey na minha pele, e pela primeira vez em anos não senti que precisava me encolher para me encaixar.
Quando o fotógrafo chamou “a família” para tirar uma foto, houve um momento de tensão. Alguém olhou para meu pai como se esperasse sua permissão.
Mateus falou antes de todos os outros:
—Camila estuda aqui.
E ele apontou para um lugar ao lado dele, na frente. Não atrás dele. Não ao lado. Não como uma nota de rodapé.
Meu pai abriu a boca, mas minha mãe já estava caminhando em minha direção, segurando meu braço com firmeza.
—Aqui—, disse ela. Conosco.
A câmera capturou aquele exato momento: o sorriso de Mateo, os olhos marejados da minha mãe, o silêncio tenso do meu pai, o olhar perdido de Valeria e eu no meio, calma.
Não era uma foto perfeita.
Era uma foto real.
Naquela noite, quando eu estava saindo, Valeria me alcançou na saída. Ela não estava mais com a melhor aparência. Tinha tirado os sapatos de salto e a maquiagem estava um pouco borrada.
“Camila…” ele disse. “Podemos conversar qualquer dia desses?”
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