“Você trouxe, não foi?”, perguntou ele.
Ricardo engoliu em seco.
—Foi… um bom negócio. Um amigo estava vendendo móveis. Estavam “em bom estado”. Quase não foram usados.
Maya soltou uma risada curta e amarga.
—O senhor mal o usou… Sr. Valdivia, esse colchão está podre por dentro. Deve ter molhado, ficado fechado, infestado de insetos. E o senhor… —ele olhou para o bebê, que já não chorava com força, apenas resmungava como se estivesse cansado de sofrer— …o colocou lá.
Victoria levou a mão à testa. Sua voz tornou-se fraca.
—Eu não sabia… Ricardo disse que era novo. Eu… eu estava exausta, tinha acabado de dar à luz, e tudo era tão caro e—
—Caro? —Maya sentiu o sangue ferver—. Você mora em uma mansão com banheiros de mármore! E “economiza” onde seu filho dorme?
Ricardo deu um passo, já com aquela raiva de um chefe acostumado a resolver tudo com ameaças.
—Não fale comigo assim. Você é o funcionário.
Maya respirou fundo, com as mãos trêmulas, mas firmes.
—Não. Eu sou uma pessoa. E neste momento sou a única pessoa nesta casa que está cuidando deste bebê.
Ele caminhou em direção à porta com Sati pressionada contra o peito.
“Para onde você vai levar isso?”, perguntou Victoria.
—Um lugar limpo.
Ricardo a seguiu, furioso, mas Maya se virou e ergueu o celular, cuja tela piscava, mostrando as fotos.
—Se eu for preso, vou levar isso ao Conselho Tutelar hoje à noite. E se alguém tentar pegar meu celular, também vou levar ao Conselho Tutelar e a um advogado. Não estou brincando.

O rosto de Victoria ficou pálido.
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