Alguém está observando, e não está nada contente com o aparecimento da filha. Ibi olhou para o pai, sentindo o peso da gaiola dourada se fechando ao seu redor. Não era mais apenas uma questão de identidade; era uma caçada humana. O detetive Cole fechou o laptop com força. O barulho fez Ibi pular da cadeira. “A mensagem está criptografada”, disse Cole, esfregando a cicatriz na bochecha. “Quem enviou essa ameaça sabe o que está fazendo.”
“Ele não é um bandido qualquer, Sr. Cross. É um profissional.” Sebastian bateu com o punho na mesa, fazendo a porcelana do café da manhã tilintar. “Não me importa se ele é um fantasma”, rosnou Sebastian. “Quero saber quem estava naquela estrada há 23 anos. Para onde?” [O texto muda abruptamente para um tópico diferente:] “montanha como uma serpente de metal negro.”
Ibi olhava pela janela, sentindo náuseas à medida que subiam. Os pinheiros passavam, desfocados, altos e escuros. O carro parou num mirante abandonado, protegido apenas por uma grade de metal enferrujada. O vento soprava forte, chicoteando os casacos dos seguranças que saíram primeiro para garantir o perímetro. Sebastian saiu do carro e ajudou Ibi a descer. Sua mão estava fria, mas seu aperto era firme. Caminharam até a beira do precipício. Lá embaixo, a centenas de metros de distância, jazia o esqueleto de uma floresta queimada que nunca se recuperara completamente.
“Foi aqui que aconteceu”, disse Sebastian, com a voz abafada pelo vento. Eram 23h. Eu dirigia como um louco. Um caminhão invadiu nossa faixa. Perdi o controle. Ibi encarava o abismo, imaginando a queda, o fogo, o terror. “Como eu sobrevivi a isso?”, sussurrou ela. “É isso que vamos descobrir”, disse o detetive Cole, aproximando-se com uma pasta grossa debaixo do braço. “Sr. Cross, estive revisando o laudo original da autópsia no caminho para cá.”
Tem algo errado. “O que você quer dizer?” perguntou Sebastian, virando-se bruscamente. Cole abriu a pasta e retirou uma folha de papel amarelada. O legista escreveu que o corpo estava tão carbonizado que a identificação visual era impossível. Usaram registros dentários. “Mas veja só, não há menção de gravidez no exame pélvico.” Sebastian arrancou o papel de suas mãos. “Disseram que o fogo consumiu tudo.” “O fogo não queima os ossos, Sr. Cross”, interrompeu Cole. “Se o bebê tivesse morrido dentro dela, teriam encontrado restos fetais, um esqueleto, alguma coisa.”
Mas o relatório está em branco, o que significa uma de duas coisas. Ou o legista era incompetente, ou alguém o pagou para fazer vista grossa, ou ela deu à luz antes de morrer, disse Ivy, com os olhos fixos na mata abaixo. O homem da jaqueta de couro. Ele me tirou de lá. Temos que descer até lá”, disse Sebastian, caminhando até o porta-malas para pegar cordas. “Quero ver o local exato, Sr. Cross. É perigoso”, alertou Cole.
Mas eu tenho uma pista melhor. No boletim de ocorrência, há uma nota de rodapé quase ilegível, um telefonema de uma enfermeira local naquela mesma noite. Uma enfermeira. Sebastian parou. Sim, Martha Higgins. Ela trabalhava na clínica rural da cidade vizinha. Ela ligou para a polícia para denunciar um homem suspeito que tentava roubar suprimentos médicos, mas a polícia estava muito ocupada com o acidente dela e a ignorou. Onde essa mulher mora? perguntou Sebastian, puxando as cordas de volta para o carro.
“Ela ainda está viva”, disse Cole, consultando suas anotações. “Ela está morando em um asilo a 20 km daqui. Vamos”, ordenou Sebastian, empurrando Ivy delicadamente em direção ao carro. “Quero falar com ela antes que quem nos enviou a mensagem descubra que estamos investigando.” Meia hora depois, eles entraram no saguão do asilo Valley. O lugar cheirava a desinfetante e curativos. Sebastian não esperou pela recepcionista; foi direto para a sala de convivência, seguido por Cole e Ivy.
Encontraram Martha Higgins sentada numa cadeira de rodas perto de uma janela, tricotando um cachecol interminável. Era uma senhora muito idosa, com cabelos brancos como a neve e mãos nodosas. “Sra. Higgins”, perguntou Cole, ajoelhando-se ao lado dela. A mulher parou de tricotar e olhou para ele com olhos marejados, mas lúcidos. “Não sou mais enfermeira, rapaz. Não tenho nenhum remédio.” “Não viemos em busca de remédios”, disse Sebastian, dando um passo à frente. Sua presença preencheu o cômodo. “Viemos perguntar sobre a noite de 12 de dezembro, há 23 anos.”
Na noite do acidente de motocross. As mãos da velha tremiam e ela deixou cair as agulhas de tricô. O acidente do milionário, murmurou ela. Incêndio na montanha. Você ligou para a polícia naquela noite, insistiu Cole. Você disse que viu um homem. Ninguém me ouviu, disse Marta com um toque de amargura antiga. Você disse que ele era um vagabundo bêbado. Mas eu sei o que vi. O que Marta viu? perguntou Ivy, aproximando-se. Ela se agachou até a altura dos olhos da velha e segurou suas mãos.
Por favor, nos conte. É muito importante. Marta olhou para Ivy, semicerrando os olhos como se tentasse focar em uma imagem distante. “Você se parece com ela?”, sussurrou a velha. “A mulher da foto do jornal. Conte-nos sobre o homem”, insistiu Sebastian, impaciente. Marta suspirou e olhou para a janela. Ele entrou na clínica pela porta dos fundos. Estava encharcado. Cheirava a fumaça e sangue queimado. Usava uma jaqueta de couro grande demais. “O que ele queria?”, perguntou Cole. “Ele não queria dinheiro”, disse Marta.
Ele queria linha de sutura e leite. Leite, repetiu Sebastián, sentindo um nó no estômago. Fórmula infantil, esclareceu Marta. Ele estava desesperado. Chorava, suas mãos estavam queimadas. Dei-lhe o que pediu e disse para ir ao hospital, mas ele disse que não podia, que a levariam embora. De quem? perguntou Ivy. Da menina, respondeu Marta. Ele disse que precisava salvar a menina porque a mãe dela tinha ido para o céu. Sebastián fechou os olhos, lutando contra as lágrimas.
Era verdade. Evelyn havia dado um vislumbre de esperança. Evelyn morreu sabendo que sua filha estava viva. “Você sabe quem era aquele homem?”, perguntou Cole, pegando seu caderno. Ele disse o nome do homem. Não conhecia Marta, mas o reconheceu. Era um dos moradores de rua que viviam nas cabanas abandonadas na floresta. Chamavam-no de Elias, o Coxo. “Elias”, repetiu para Sebastian, gravando o nome na memória como uma frase. “Ele sabe onde está agora. Desapareceu depois daquela noite”, disse a velha.
Mas ele costumava trabalhar ocasionalmente no antigo armazém de grãos do outro lado da cidade. Se ainda estiver vivo, talvez alguém lá se lembre dele. De repente, o som de vidro quebrando interrompeu a conversa. Uma pedra embrulhada em papel atravessou a janela da sala de estar, caindo aos pés de Sebastian. Seguranças invadiram o local, com as armas em punho. “Abaixe-se!”, gritou Cole, empurrando Ibi para o chão. Sebastian não se mexeu. Abaixou-se e pegou a pedra. Desembrulhou o papel com as mãos furiosas.
“O que diz?” perguntou Ivy, do chão trêmulo. Sebastian leu o bilhete em voz alta, num tom que prometia vingança. “Pare de mexer nas cinzas ou você vai se queimar. Eles nos seguiram”, disse Cole, olhando para a rua vazia através da janela quebrada. “Ótimo”, disse Sebastian, amassando o papel na mão. “Isso significa que eles estão com medo. Vamos para o armazém de grãos. Encontraremos Elias antes deles.” O comboio de segurança parou na entrada do setor sul, a área mais carente de Silver Creek.
Continua na próxima página
Para ver os tempos de cozimento completos, vá para a próxima página ou clique no botão (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos do Facebook.
Leave a Comment