Os prédios ali não eram arranha-céus de vidro, mas blocos de tijolos cinzentos com janelas quebradas e grafites desbotados. Sebastian olhou pela janela escura com desgosto. “Este lugar é um labirinto”, disse Col. “Por onde começamos?” “O armazém de grãos fechou há 10 anos”, respondeu o detetive, consultando um mapa de papel. “Agora é um abrigo improvisado para moradores de rua. Se Elias ainda estiver vivo, ele estará lá. Vamos entrar, tirá-lo de lá e ir embora”, ordenou Sebastian, abrindo a porta. “Espere”, disse Ivy, agarrando seu braço.
“Você não pode entrar lá vestido assim.” Sebastian olhou para seu terno italiano de três peças e seu relógio de platina. “Então, o que você sugere? Que eu me disfarce?” “Não temos tempo. Sugiro que me deixe falar”, disse Ivy, saindo do carro. “Você exala dinheiro e cheiro de polícia. Se entrar lá exigindo respostas, eles vão se fechar como ostras. Eu conheço essas pessoas. Já vivi como elas.” Sebastian hesitou. Mas o Detetive Cole se aproximou. “A garota tem razão, Sr. Cross. Sua presença impõe respeito.”
Eles odeiam a autoridade aqui. O grupo deu um passo à frente para um beco estreito. O ar cheirava a lixo queimado e umidade. Um grupo de homens jogava dados contra uma parede. Quando viram Sebastián e seus guarda-costas, pararam e cuspiram no chão. “Turistas perdidos?”, perguntou um deles. Um homem com uma tatuagem no pescoço bloqueava a passagem. O pedágio para passar é caro. Os guarda-costas de Sebastián buscaram suas armas sob os casacos.
A tensão aumentou num instante. “Saia da minha frente”, avisou Sebastian com voz gélida. “Ou o quê? Vai ligar para o papai?”, zombou o homem, sacando uma faca. Antes que Sebastian pudesse reagir, Ibi deu um passo à frente, empurrou o pai com uma força surpreendente e confrontou o homem tatuado. “Guarde isso, Marco”, disse ela firmemente. O homem piscou, confuso. “Você sabe meu nome? Eu limpava o bar onde você costumava se embebedar às sextas-feiras”, disse Ivy, cruzando os braços.
Eu sei que você tem uma filha doente no quarteirão quatro, e sei que se você tocar nesse homem, a polícia virá e não sobrará nada deste bairro. É isso que você quer para sua filha? Ele fez um corte lento sob a faca, olhando para Ibi com reconhecimento. A faxineira. O que você está fazendo com esses abutres? Ele procurou por Elias, disse Ibi, ignorando o insulto. O aleijado disse que ele está no antigo armazém. Preciso vê-lo. É vida ou morte, Marco. O homem hesitou, olhando para as notas que saíam do bolso de Sebastian, mas então encontrou o olhar suplicante de Ivy.
“Elias é um fantasma”, resmungou Marco. “Ele não fala com ninguém. Mora na torre de vigia do armazém, no lado oeste, mas cuidado, ele tem uma espingarda e não gosta de visitas.” “Obrigada”, disse Ivy. Enquanto passavam de carro, Sebastian olhou para a filha com uma mistura de admiração e respeito. “Como você sabia disso?”, perguntou baixinho. “Você lê relatórios financeiros. Eu escuto as pessoas”, respondeu Ivy sem parar. “Vamos.” Chegaram ao antigo armazém de grãos 20 minutos depois.
Era uma estrutura colossal de metal enferrujado, cercada por uma cerca quebrada. O vento assobiava através dos buracos nas paredes. “Coronel, você e seus homens cubram o perímetro”, ordenou Sebastian. “Eu e IV subiremos na torre. É perigoso, senhor”, protestou Cole. “Ela é minha filha e minha testemunha”, disse Sebastian. “Ninguém mais sobe.” Eles entraram na escuridão do armazém. O chão estava coberto de entulho. Subiram uma escada de metal que rangia sob seus pés a cada passo.
Ao chegar ao patamar superior, em frente a uma porta de aço fechada, Sebastian fez um gesto para que ele ficasse atrás. Bateu na porta com os nós dos dedos. “Elias!”, gritou Sebastian. “Eu sei que você está aí, abra.” Não houve resposta, apenas o som do vento. “Elias”, insistiu Sebastian. “Eu não sou da polícia. Vim falar sobre o acidente de 23 anos atrás. Vim falar sobre o bebê que você salvou.” O som inconfundível de uma arma sendo engatilhada foi ouvido do outro lado da porta.
“Vá embora”, disse uma voz rouca e quebrada de dentro. “Não há nada para conversar. Os mortos estão mortos.” Sebastian olhou para Ivy. Ela subiu e se aproximou da porta. “Nem todos estão mortos”, disse Ivy, pressionando a testa contra o metal frio. “Elias. Eu estou viva. Sou o bebê da jaqueta de couro. Sou a garota que você deixou no orfanato.” Houve um longo e pesado silêncio. Então, o som de passos irregulares e arrastados. Um mancar enquanto a voz sussurrava.
Mais perto agora. Ela morreu. Eu a vi morrer. Eu tenho o pescoço dela, disse Ivi, puxando o camafeu do decote da blusa. Eu tenho o camafeu da minha mãe. Abra a porta, por favor, eu só quero agradecer. A tranca girou lentamente. A porta rangeu ao abrir. Na penumbra, um velho de barba branca e roupas remendadas apontou uma velha espingarda para eles. Suas mãos tremiam, mas quando seus olhos encontraram Ivy, seu rosto, seus olhos cor de mel, a arma escorregou de sua mão e caiu no chão com um estrondo.
Elias caiu de joelhos, soluçando como uma criança. “Meu Deus”, chorou o velho, cobrindo o rosto. “Meu Deus, é você. Você tem o rosto dela, você tem o rosto da mulher que eu não consegui salvar.” Sebastian chutou a espingarda para o lado e, para surpresa de Ivy, abaixou-se e ajudou o velho a se levantar. Não havia fúria nos movimentos de Sebastian, apenas uma urgência desesperada. “Por quê?”, perguntou Sebastian, segurando Elias pelos ombros. “Por que você a levou?”
“Por que você não me disse que eu estava vivo?” Elias ergueu o olhar, os olhos arregalados de terror. “Eles estavam observando”, sussurrou para o velho, “os homens no carro preto. Eles causaram o acidente. Queriam ter certeza de que ninguém sairia dali vivo. Se eu tivesse ido à polícia, eles teriam nos matado.” Sebastian agarrou Elias pela lapela da camisa suja, puxando-o para cima com uma força nascida do desespero. “Que homens?” Sebastian exigiu. “Quem eram eles?” Elias tremia, os olhos arregalados, encarando a porta de aço, como se os fantasmas do passado pudessem entrar a qualquer momento.
“Eles não tinham rostos”, gaguejou o velho. Usavam balaclavas, dirigiam um sedã preto, sem faróis, sem placa. Eu estava me protegendo debaixo da ponte quando os vi. Eles não perderam o controle, Sr. Cross. Eles o atropelaram, o jogaram na ravina. Ivy cobriu a boca com as mãos. Sebastian soltou Elias, recuando como se tivesse sido agredido fisicamente. “Foi assassinato”, sussurrou Sebastian. “Não foi um acidente. Eles tentaram nos matar. Saíram do carro para acabar com a gente”, continuou Elias, falando rapidamente, cuspindo as palavras que havia guardado por 23 anos.
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