“Abra a porta”, disse o Dr. Reid. “Sebastian, sou eu.” Sebastian abriu a porta com um estrondo. O Dr. Reid, um homem de cabelos grisalhos e óculos de armação grossa, entrou correndo com uma maleta médica. Atrás dele, o gerente Bans tentou espiar, mas Sebastian bateu a porta na cara dele. “Que diabos está acontecendo, Sebastian?”, perguntou Rid, ofegante. “Por que tanta pressa? Você se machucou?” “Faça um teste de DNA”, disse Sebastian, apontando para Ivey. “Quero uma comparação direta de paternidade agora mesmo.”
Reid olhou para a faxineira, depois para o magnata, e finalmente soltou uma risada incrédula. “Paternidade, Sebastian, por favor, você estava bebendo? Já se passaram 23 anos desde ‘Faça Isso'”, rugiu Sebastian, agarrando o médico pela lapela do paletó. Ela tem o camafeu da Evely. Ela estava usando. Um silêncio se abateu sobre a sala. O Dr. Reid empalideceu e olhou para Ibi com outros olhos, analisando suas feições com admiração profissional. “Meu Deus”, murmurou Rid. “Os olhos dela são os olhos dela.”
“Pare de me encarar e pegue as amostras”, ordenou Sebastian. Empurrando-o em direção ao sofá, Rid abriu sua pasta com as mãos trêmulas, retirou dois cotonetes estéreis e alguns tubos de ensaio. “Por favor, sente-se, senhorita”, disse o médico suavemente. Ibi sentou-se na beirada do sofá rígido. “Quero meu dinheiro primeiro”, disse ela, olhando para Sebastian. “30.000 agora.” Sebastian pegou seu talão de cheques e uma caneta dourada, rabiscou um número e o preencheu com um traço firme. Rasgou o cheque e o colocou sobre a mesa.
“50.000”, disse ele, “pelo seu trabalho. Agora abra a boca.” Ibi pegou o cheque, conferiu o valor e o guardou no bolso do avental. Então, abriu a boca. O Dr. Reid inseriu o cotonete, raspou a parte interna da bochecha dela e o colocou no tubo de ensaio. Fez o mesmo com Sebastian segundos depois. “Quanto tempo vai demorar?”, perguntou Sebastian, guardando seu próprio tubo de ensaio no bolso. “Se eu acordar o técnico de laboratório e pagar o triplo a ele”, calculou Rid, olhando para o relógio, “umas quatro horas.”
Mas Sebastian, não se iluda. Coincidências acontecem. O luto pode nos fazer ver coisas que não são reais. Leve isso para o laboratório, disse Sebastian, ignorando o aviso. Eu fico aqui com ela. O quê? Ivy se levantou de um pulo. Não, o combinado era o teste, só isso. Eu tenho que ir. Tenho outro trabalho amanhã. Você não vai a lugar nenhum, disse Sebastian, bloqueando a saída com o corpo. Se você for quem eu acho que é, nunca mais vai limpar um chão na sua vida.
E se você não for, preciso saber as consequências dessa joia.” “É sequestro!” gritou Ivy, procurando o celular no bolso. “Vou chamar a polícia.” Sebastian arrancou o celular da mão dela antes que ela pudesse desbloqueá-lo. “Ligue para quem quiser quando tiver os resultados”, disse ele friamente. “Sou prisioneira dele”, corrigiu Ivy, com lágrimas de raiva brotando em seus olhos. Sebastian não negou a acusação; virou-se para o Dr. Reid.
“Vá! Ligue assim que a máquina terminar a análise. Nem um minuto depois.” O médico se aproximava. Olhou para a garota com pena e saiu apressado da sala. Sebastian trancou a porta novamente e sentou-se na poltrona em frente a Ibi, cruzando as pernas. “Agora”, disse Sebastian, fixando o olhar nela. “Conte-me mais sobre aquele homem de jaqueta de couro. Quero saber tudo.” Sebastian não levou Ibi à delegacia, mas sim à sua cobertura no centro da cidade.
A viagem foi silenciosa e tensa. Ao chegar, os seguranças confiscaram o celular de Ivi e bloquearam as saídas do elevador privativo. “Ninguém entra nem sai”, ordenou Sebastián ao seu chefe de segurança. “Se ela tentar fugir, impeçam-na, mas não será a última vez.” Ivi ficou de braços cruzados no meio da imensa sala de estar, que mais parecia um museu do que uma casa. “Isso é ilegal”, disse ela, elevando a voz. “Ele está me mantendo em cárcere privado. Você está sob custódia protetiva até que esse telefone toque”, respondeu Sebastián, apontando para o celular sobre a mesa de vidro.
Sente-se. Antes que Ibi pudesse protestar, as portas do elevador se abriram novamente. Um homem alto, impecavelmente vestido e carregando uma pasta de couro, entrou. Era Sterling, o advogado pessoal da família Cross. “Sebastian, você perdeu a cabeça”, disparou Sterling sem dizer uma palavra. “O gerente do restaurante me ligou. Ele disse que você sequestrou uma funcionária. Você tem noção do escândalo que isso vai causar?” “Cale a boca, Sterling”, disse Sebastian sem se virar. “Sente-se e espere.”
O advogado olhou para Ibi com desdém, examinando-a de cima a baixo. “É ela?” perguntou Sterling, erguendo uma boneca. “A garota com o colar.” “Sebastian, isso é um golpe clássico. Alguém investigou seu passado, comprou uma réplica em uma casa de penhores e colocou essa garota no seu caminho.” “Eu não sou um golpe!” gritou Ivy, dando um passo em direção ao advogado. “E o colar é verdadeiro.” “Ah, é?” Sterling deu uma risada seca. “Então, como você explica uma faxineira possuir uma joia que vale meio milhão de dólares?”
Quem te paga pela competição? Ninguém me paga. Ivy se virou para Sebastian. Deixe-me ligar para o orfanato. Deixe-me ligar para a Irmã Maude. Ela vai te contar. Ela acolheu o homem que me deixou lá. Sebastian olhou para o advogado e depois para Ivy. “Faça isso”, disse Sebastian, devolvendo o telefone para ela. “Coloque no viva-voz.” Ivy discou o número com as mãos trêmulas. Depois de três toques, uma voz idosa atendeu: “Residência Santa Maria, Irmã Maude, sou eu, Ivy”, disse ela, inclinando-se para mais perto do telefone.
“Eu… eu estou em apuros. Preciso que você conte a algumas pessoas como fui parar no orfanato. Por favor, isso é uma questão de vida ou morte?” Houve uma pausa do outro lado da linha. “Ibi, o que houve, querida? Aconteceu alguma coisa com você? Conte a eles sobre a noite em que me encontraram, por favor.” Sebastian inclinou-se sobre a mesa, ouvindo atentamente. “Foi há 23 anos”, a voz da freira crepitou pelo alto-falante. “Em uma noite tempestuosa, 12 de dezembro. Ouvimos a campainha. Quando abri a porta, não havia ninguém, apenas uma cesta com um bebê enrolado em uma enorme jaqueta de couro.”
“Você viu alguém?” Sebastian interrompeu bruscamente. “Quem é aquele homem?” perguntou a freira, assustada. “Responda à pergunta”, ordenou Sebastian. “Eu vi… eu vi uma sombra”, admitiu a Irmã Maude. “Um homem estava correndo em direção a uma velha caminhonete, mancando, parecendo ferido. Ele gritou alguma coisa antes de o veículo arrancar em alta velocidade.” “O que ele gritou?” perguntou Sterling. “Agora, prestando atenção, ele gritou: ‘Perdoe-me, meu Deus.’ E então ele sumiu. Eu nunca mais voltei.” O silêncio tomou conta do quarto. Sebastian fechou os olhos. Um homem mancando. Uma velha caminhonete. “Obrigada, Irmã”, sussurrou Ivy e desligou antes que a freira pudesse fazer mais perguntas.
Sterling afrouxou a gravata, visivelmente desconfortável. “Isso não prova nada, Sebastian. Poderia ter sido qualquer um. Um pai arrependido que abandonou a filha ilegítima. Evely morreu naquela noite”, disse Sebastian com voz sepulcral, “e o bebê desapareceu.” “Se aquele homem estava no local do acidente, se ele a salvou ou se a sequestrou”, rebateu Sterling. “Não se iluda. Se o teste de DNA der negativo, vou processar essa garota por tentativa de fraude e extorsão.”
Garanto que ele passará os próximos 10 anos na cadeia. Senti um nó no estômago, mas mantive a cabeça erguida. “Se o resultado for negativo, irei pessoalmente à delegacia”, disse ela. “Mas se for positivo, quero que você peça desculpas de joelhos.” O tempo passou com uma lentidão agonizante. Uma hora, duas horas, três horas. Ninguém comeu, ninguém bebeu. Sebastian ficou em pé em frente à janela, olhando para as luzes da cidade. Ivy sentou-se no sofá, abraçando os joelhos.
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