Mas, quando eu começava a relaxar, uma voz grave me sacudiu como um tapa na cara:
—Ei. Você não pode fazer isso.
Eu paralisei. Engoli em seco e baixei o olhar. Era um homem alto, impecavelmente vestido com um terno escuro. Seus sapatos brilhavam como espelhos e a gravata caía perfeitamente sobre a camisa branca. Ele não era garçom. Nem sequer parecia um cliente comum.
“Eu… eu sinto muito, senhor”, gaguejei, com o rosto ardendo de vergonha. “Eu só estava com fome…”
Tentei colocar um pedaço de batata no bolso, como se isso pudesse me salvar da humilhação. Ele não disse nada. Apenas olhou para mim, como se não soubesse se devia ficar com raiva ou com pena de mim.
“Vá comigo”, ordenou ele finalmente.
Dei um passo para trás.
“Não vou roubar nada”, implorei. “Deixe-me terminar isto e eu vou embora. Juro que não vou causar escândalo.”
Eu me sentia tão pequena, tão quebrada, tão invisível. Como se eu não pertencesse àquele lugar. Como se eu fosse apenas uma sombra incômoda.
Mas, em vez de me expulsar, ele levantou a mão, fez um sinal para um garçom e sentou-se a uma mesa no fundo do restaurante.
Fiquei imóvel, sem entender o que estava acontecendo. Alguns minutos depois, o garçom se aproximou com uma bandeja e colocou um prato fumegante à minha frente: arroz soltinho, carne suculenta, legumes cozidos no vapor, uma fatia de pão quente e um copo grande de leite.
“É para mim?”, perguntei com a voz trêmula.
—Sim — respondeu o garçom, sorrindo.
Levantei os olhos e vi o homem me observando de sua mesa. Não havia escárnio em seu olhar. Não havia pena. Apenas uma espécie de calma inexplicável.
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