Atrás de cada vitrine, famílias comemoravam, casais sorriam, crianças brincavam com seus talheres como se a vida pudesse ser dolorosa.
E eu… eu estava morrendo de vontade de comer um pedaço de pão.
Depois de andar por alguns quarteirões, decidi entrar num restaurante com um cheiro divino. O aroma de rosbife, arroz quentinho e manteiga derretida me deixou com água na boca.
As mesas estavam cheias, mas a princípio ninguém me deu atenção. Vi uma mesa que tinha acabado de ser limpa, ainda com alguns restos de comida, e meu coração disparou.
Caminhei com cuidado, sem olhar para ninguém. Sentei-me como se fosse um cliente, como se eu também tivesse o direito de estar ali. E sem pensar duas vezes, peguei um pedaço de madeira dura que havia sobrado na cesta e o coloquei na boca. Estava frio, mas para mim era uma iguaria.
Com as mãos trêmulas, coloquei algumas batatas fritas frias na boca e tentei não chorar. Em seguida, veio um pedaço de carne quase seco. Mastiguei-o lentamente, como se fosse a última mordida do mundo.
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