Eles a retiraram do avião e, minutos depois, descobriram quem ela realmente era.

Eles a retiraram do avião e, minutos depois, descobriram quem ela realmente era.

Tempo estimado de voo: 2 horas e 10 minutos. O tempo em Nisa está ensolarado, 24°C. Por favor, acomode-se e tenha um bom voo.
A voz era calma, profissional, nada de especial. Victoria recostou-se na poltrona, tentando relaxar. A decolagem foi tranquila. O avião ganhou altitude. Entrou em controle de cruzeiro. Os comissários de bordo começaram a servir bebidas e lanches. Victoria pediu um café. A atendente trouxe com um sorriso. Colocou um biscoito e um guardanapo na bandeja.

“Obrigada”, disse Victoria. “De nada.” A comissária de bordo assentiu e seguiu seu caminho. Por ora, tudo estava bem. Talvez as reclamações dos passageiros fossem exageradas, talvez apenas incidentes isolados. Mas cerca de uma hora após a decolagem, a atmosfera a bordo mudou. Da parte de trás da cabine vinha o som do choro de uma criança. Victoria se virou. Uma jovem mãe tentava acalmar um bebê visivelmente aflito. A criança tinha cerca de dois anos. Ela gritava e se debatia nos braços da mãe.

Uma das comissárias de bordo se aproximou. “Senhora, a senhora precisa acalmar a criança”, disse ela com firmeza. “Ele está incomodando os outros passageiros.” “Estou tentando.” A mãe parecia confusa e cansada. “Ele só está inquieto, está com os dentes nascendo. Isso não é desculpa.” A comissária cruzou os braços. “A senhora deveria ter se preparado para o voo, trazido alguns brinquedos para acalmá-lo.” Victoria franziu a testa. O tom da comissária era áspero, completamente inaceitável. Não é assim que os funcionários da Asure Wings deveriam se comportar.

A mãe ficou ainda mais agitada. A criança chorava mais alto.
Outros passageiros começaram a se afastar. Alguém estalou a língua em sinal de desaprovação. Victoria queria se levantar, aproximar-se, intervir de alguma forma, mas se conteve. Ela está ali disfarçada. Não pode se revelar. Não, agora ela precisa de mais informações. A situação se resolveu quando outra comissária de bordo, mais velha e claramente de posição hierárquica superior, aproximou-se da mãe e gentilmente ofereceu leite morno para a criança. O menino foi se acalmando aos poucos, mas um gosto amargo permaneceu em sua boca.

Victoria anotou mentalmente o nome da aeromoça grosseira. Seu crachá dizia Clara Mitell; ela teria que lidar com ela mais tarde. O voo prosseguiu. Victoria cochilou, olhando pela janela para as nuvens. Abaixo, os campos verdes da França se estendiam. Então, as montanhas começaram a aparecer: os Alpes. Mas, a cerca de 20 minutos do pouso, aconteceu o que Victoria esperava nesta aventura: turbulência. O avião tremeu violentamente. Os passageiros ofegaram de medo. Victoria sabia que era normal.

Principalmente quando se aproximavam da costa montanhosa. Mas para os passageiros comuns, é sempre estressante. A voz do Capitão Hartley crepitou pelos alto-falantes. “Senhoras e senhores, entramos em uma área de turbulência. Por favor, sentem-se e apertem os cintos de segurança.” Seu tom era irritado, quase aborrecido, como se os passageiros fossem os culpados pelo mau tempo. O avião continuou a tremer. Alguém entre os passageiros riu nervosamente. A senhora idosa ao lado de Victoria pegou a mão do marido. “Vai ficar tudo bem, querida”, ele a tranquilizou.

Victoria lançou um olhar mecânico para as asas. Elas batiam com as correntes de ar, mas isso era normal. A estrutura da aeronave fora projetada para suportar tais cargas. Não havia perigo, mas de repente ouviu-se um forte estalo. As luzes da cabine se apagaram por um instante. Em seguida, as luzes de emergência acenderam. Os passageiros gritaram. Alguém berrou: “O que aconteceu?”, gritavam as vozes. Os comissários de bordo pareciam perplexos. Eles se entreolharam, claramente sem saber o que fazer. Victoria sentiu a adrenalina percorrer suas veias.

Algo deu errado. Ela ouviu os motores funcionando. Estavam funcionando normalmente, então não era nada grave. Possivelmente um problema elétrico. A voz do capitão soou novamente pelos alto-falantes. Desta vez, ele parecia nervoso. “Temos um problema técnico. Não há emergência. Estamos nos preparando para pousar e perdemos a comunicação.” Victoria franziu a testa. Aquela comunicação era péssima. O capitão deveria ter acalmado os passageiros, explicado a situação, e não apenas proferido frases incoerentes. O avião começou a descer.

A turbulência aumentou. Os passageiros agarraram-se aos apoios de braço.
Alguns rezavam. A mulher ao lado de Victoria soluçava baixinho. Victoria colocou a mão no ombro dela. “Vai ficar tudo bem”, disse calmamente. “É só turbulência. O avião está perfeitamente bem. Mais alguns minutos e vamos pousar.” A mulher olhou para ela com gratidão. O pouso foi brusco. O avião tocou o solo com um baque surdo. Os passageiros foram arremessados ​​para a frente. Os motores rugiram em marcha à ré, mas em segundos a velocidade diminuiu e o avião taxiou pela pista em direção ao terminal.

Os passageiros suspiraram de alívio. Alguém até aplaudiu. Victoria permaneceu sentada, com os dentes cerrados. O que ela acabara de presenciar era inaceitável. Comunicação deficiente, pânico entre a tripulação, tratamento rude por parte da comissária de bordo. Esses não são os padrões da Asure Wings. Isso é um fracasso. Quando o avião parou e anunciaram que podiam soltar os cintos de segurança, os passageiros começaram a se levantar e pegar suas bagagens. Victoria também se levantou, pegou sua mochila e caminhou lentamente em direção à saída. As comissárias de bordo estavam esperando na porta.

Estavam se despedindo formalmente dos passageiros.
Victoria as observava atentamente. Mulheres jovens, cansadas, tensas. Uma delas, a própria Clara Mitell, nem sequer olhava para os passageiros; simplesmente murmurava mecanicamente para Deus. Victoria desembarcou do avião. O ar quente do Mediterrâneo a envolveu. O sol brilhava intensamente. Desceu as escadas e dirigiu-se ao terminal. Pedro apareceu ao seu lado em poucos minutos. “Victoria, você está bem?”, perguntou ele suavemente. “Sim, mas você viu o que aconteceu lá?” “Vi. Foi pouco profissional.” Pedro franziu a testa.

O que você vai fazer? Preciso falar com Antonio Duboa. Victoria pegou o celular. Ele é o gerente regional. Quero ouvir o que ele tem a dizer. Eles passaram pelo controle de passaportes, pegaram seus pertences. Victoria carregava apenas a mochila e foram para o saguão de desembarque. Victoria discou o número de Duboa. Ele atendeu no terceiro toque. “Alô, Antonio Duboa”, disse a voz. Uma voz animada com um leve sotaque francês. “Antonio, aqui é Victoria Holmes.” Ela se apresentou pelo nome verdadeiro. “Srta. Holmes.” Havia surpresa em sua voz.

Que surpresa. Ela está em Isa. Sim, acabei de chegar. Preciso vê-la. Tenho algumas perguntas. Claro, claro. Estou no escritório. Venha, vou esperar. Victoria pegou um táxi. O escritório da Asure Wings em Nisa ficava perto do aeroporto, em um moderno centro comercial. Quinze minutos depois, ela já estava no terceiro andar. Antonio Debua a cumprimentou pessoalmente. Um homem na casa dos quarenta, não muito alto, atarracado, com um bigode bem aparado. Ele vestia um terno caro. Abotoaduras brilhavam em seus pulsos.

Um sorriso largo, mas pareceu falso para Victoria. “Senhorita Holmes, que honra.” Ele apertou a mão dela. “Por favor, entre.” “Café?” “Café.” “Obrigada.” Victoria sentou-se na cadeira em frente à sua mesa. Pedro permaneceu na recepção. Dubo pediu café à sua secretária e se virou para Victoria. “Então, a que devo sua visita?” perguntou, sentando-se em sua cadeira. “Antonio, vim porque recebi várias reclamações sobre a qualidade do serviço nos voos da Nisa.” Victoria falou com calma, mas com firmeza.

As queixas diziam respeito ao Capitão David Hartley e sua tripulação.
Dubo fez uma careta. “Ah, sim, ouvi falar de alguns incidentes, mas sabe como é, os passageiros às vezes exageram. O Capitão Hartley é um piloto experiente, talvez um pouco rigoroso, mas um profissional consciencioso.” Victoria ergueu uma sobrancelha. “Eu mesma voei em um voo dele. O que percebi foi severidade, grosseria e falta de profissionalismo. Os comissários de bordo se comportaram de forma inadequada. A comunicação foi péssima e, durante a turbulência, a tripulação simplesmente entrou em pânico.”

O rosto de Dubo se contraiu. “Victoria, garanto que este é um incidente isolado. Provavelmente foi apenas um dia ruim. Você sabe como é.” “Eu sei que não deveria ser assim”, interrompeu Victoria. “Nossos passageiros pagam por um serviço de qualidade e somos obrigados a fornecê-lo sempre, sem exceção.” A secretária trouxe café. Houve uma pausa constrangedora. Quando a moça saiu, Victoria continuou: “Antonio, quero que você faça uma investigação interna sobre o Capitão Harley e sua equipe. Converse com outros passageiros, colete informações e, se ficar comprovado que os problemas são sistêmicos, medidas terão que ser tomadas, incluindo a demissão.”

Dubo empalideceu. “Victoria, isto é muito sério. Demitir um capitão vai causar problemas. Precisamos de pilotos, especialmente durante a alta temporada. Preciso de pilotos profissionais”, interrompeu Victoria. “São eles que arruinam a reputação da empresa. Veja só. Quero um relatório em uma semana.” Ela terminou seu café e se levantou. “Obrigada pelo seu tempo, Antonio. Espero que possamos chegar a um acordo.” Dubo também se levantou, sorrindo tensamente. “Claro, Srta. Holmes. Cuidarei disso imediatamente.” Victoria saiu da sala. Pedro a esperava no saguão.

“Bem?” perguntou ele. “Eu não gostei daquele Dubo”, admitiu Victoria ao sair. “Ele está escondendo alguma coisa. Ele é superprotetor com o Hartley. Precisamos investigar mais a fundo. O que você sugere? Vamos ficar em Nisa por uns dias. Observar. Conversar com as pessoas. Talvez a gente descubra o que realmente está acontecendo aqui.” Peter assentiu. “Certo. Vamos alugar quartos em um hotel.” Eles se hospedaram em um pequeno hotel perto da Promenade des Anglais. Victoria não queria chamar atenção para si, então escolheu um lugar modesto, mas decente.

Ela passou os dois dias seguintes conversando com funcionários da Cinta Movistar: mecânicos, pessoal de terra e comissários de bordo. A maioria ficou feliz em conversar com a dona, embora surpresa com a visita informal. E aos poucos, a situação foi ficando mais clara. O Capitão Harley não era apenas rude e pouco profissional; ele era um verdadeiro tirano. Humilhava os comissários de bordo, gritava com os técnicos e confrontava os controladores de tráfego aéreo. Eles o temiam e o odiavam, mas ninguém reclamava abertamente porque Dubo sempre o defendia.

Além disso, Victoria descobriu que Dubo e Hartley eram amigos. Eles jantavam juntos com frequência em restaurantes. Iam ao cassino. Dubo acobertava todas as transgressões de Hartley. “Senhorita Holmes, você não imagina o quanto estamos felizes por você estar aqui”, confidenciou uma das comissárias de bordo. Uma jovem chamada Natalia. Elas estavam sentadas em um café perto do aeroporto. Harley torna nosso trabalho um pesadelo. Ele grita, ele insulta. Certa vez, ele fez uma garota chorar pouco antes da decolagem, e Dubo disse que a culpa era dela, que ela era sensível demais.

Victoria cerrou os punhos debaixo da mesa.
“Por que ninguém relatou isso à matriz?”, perguntou. “Estávamos com medo.” Natalia baixou o olhar. “Duboa disse que se alguém reclamasse, ele demitiria a pessoa, que ele tem contatos, que pode garantir que não sejamos contratadas em nenhum setor da indústria da aviação. Isso não é verdade”, disse Victoria firmemente. “Ninguém pode chantageá-las. A Asur Wings é minha empresa e não permitirei que os funcionários se sintam inseguros. Obrigada por me avisar. Vou investigar.” Naquela mesma noite, Victoria contatou o departamento jurídico em Londres.

Ela pediu que preparassem a documentação para demitir Hartley e Duboa por criarem um ambiente de trabalho tóxico e abusarem de seu poder. Mas alguém entre os funcionários vazou a informação. Hartley e Duboa descobriram que Victoria estava investigando e planejavam demiti-los. No dia seguinte, enquanto Victoria se preparava para voltar a Londres, algo inesperado aconteceu. Ela chegou ao aeroporto e fez o check-in. Sua passagem estava novamente em nome de Victoria Grant, para a classe econômica.

Ela embarcou e, então, seu coração afundou. O capitão que cumprimentava os passageiros na entrada da cabine era ninguém menos que David Hartley. Seus olhares se cruzaram. Algo brilhou em seu olhar. Reconhecimento, suspeita. Victoria desviou o olhar rapidamente e foi para seu assento, sentindo o coração disparar. O avião se encheu. As portas se fecharam, os motores rugiram. Os procedimentos de pré-decolagem começaram, mas, de repente, a comissária de bordo se aproximou de Victoria.

Para ver os tempos de cozimento completos, vá para a próxima página ou clique no botão (>) e não se esqueça de COMPARTILHAR com seus amigos do Facebook.

back to top