Olá, eu sou Michael.
Ruby enterrou o rosto na camisa de Owen. Cole encarou meus sapatos. Tessa cruzou os braços, queixo erguido, pura suspeita. Owen me estudou como se eu fosse muito mais velha do que nove anos.
“Você é o homem que nos levará?”, perguntou ele.
“Se você quiser que seja.”
“Todos nós?” perguntou Tessa.
—Sim —eu disse—. Todas elas. Não estou interessado em apenas uma.
Seus lábios se contraíram levemente. “E se você mudar de ideia?”
—Não vou fazer isso. Eles já fizeram isso o suficiente com você.
Ruby espiou. “Você tem algum lanche?”
Eu sorri. “Sim, eu sempre tenho lanches.”
Karen soltou uma risadinha discreta atrás de mim.
Depois disso veio o julgamento.
O juiz perguntou: “Sr. Ross, o senhor entende que está assumindo total responsabilidade legal e financeira por quatro filhos menores?”
“Sim, Meritíssimo”, respondi. Estava apavorada, mas falava sério.
No dia em que se mudaram, o silêncio da minha casa desapareceu. Quatro pares de sapatos perto da porta. Quatro mochilas jogadas em uma pilha.
As primeiras semanas foram difíceis.
Ruby acordava chorando e chamando pela mãe quase todas as noites. Eu me sentava no chão ao lado da cama dela até que ela voltasse a dormir.
Cole ultrapassou todos os limites.
“Você não é meu pai de verdade”, ele gritou certa vez.
“Eu sei”, respondi. “Mas ainda assim é um não.”
Tessa ficou parada nas portas, me observando atentamente, pronta para intervir se achasse necessário. Owen tentou cuidar de todos, mas acabou cedendo sob o peso.
Eu estragava refeições. Eu pisava em peças de Lego. Às vezes, eu me trancava no banheiro só para recuperar o fôlego.
Mas não foi apenas difícil.
Ruby costumava adormecer no meu peito durante as noites de cinema. Cole me deu um desenho a giz de cera de bonecos palito de mãos dadas e disse: “Este somos nós. Essa é você.”
Tessa me entregou uma autorização da escola e perguntou: “Você pode assinar isso?” Eu havia escrito meu sobrenome depois do dela.
Certa noite, Owen parou à porta do meu quarto. “Boa noite, pai”, disse ele, e então ficou rígido.
Agi como se nada de incomum tivesse acontecido.
“Boa noite, amigo”, respondi.
Por dentro, minhas mãos tremiam.
Cerca de um ano após a finalização da adoção, a vida parecia… normal, à sua maneira caótica. Corridas escolares, dificuldades com a lição de casa, consultas médicas, treinos de futebol, discussões sobre o tempo de uso de telas.
A casa fervilhava de ruído e energia.
Certa manhã, depois de deixá-los na escola e na creche, voltei para casa para começar a trabalhar.
Trinta minutos depois, a campainha tocou. Eu não estava esperando ninguém.
Uma mulher de terno escuro estava do lado de fora, segurando uma pasta de couro. “Bom dia. Você é Michael? E você é o pai adotivo de Owen, Tessa, Cole e Ruby?”
“Sim”, eu disse. “Você está bem?”
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