Eu sei como é sair de um hospital sem ninguém ao seu lado.
Aquelas crianças já haviam enterrado seus pais.
E agora o plano era separá-los também.
Quase não dormi naquela noite. Cada vez que fechava os olhos, imaginava quatro crianças sentadas em algum escritório, com os dedos entrelaçados, esperando para ver quem iriam levar embora.
De manhã, o e-mail ainda estava lá. Um número de telefone no final. Antes que eu pudesse hesitar, cliquei em “ligar”.
“Serviços de Proteção à Criança, meu nome é Karen”, respondeu uma mulher.
“Olá”, eu disse. “Meu nome é Michael Ross. Vi a publicação sobre os quatro irmãos. Eles ainda… precisam de um lar?”
Houve uma pausa.
—Sim —ela respondeu—. São sim.
“Posso entrar e falar sobre eles?”
Ela pareceu surpresa. “Claro. Podemos nos encontrar esta tarde.”
Durante a viagem, eu repetia para mim mesmo: “Você está apenas coletando informações.”
Mas, no fundo, eu sabia que isso não era verdade.
Em seu escritório, Karen colocou uma pasta na minha frente.
“São bons meninos”, disse ela. “Já passaram por muita coisa.” Ela continuou: “Owen tem nove anos. Tessa tem sete. Cole tem cinco. Ruby tem três.”
Analisei os nomes em silêncio.
“Os pais deles morreram em um acidente de carro”, continuou Karen. “Nenhum parente próximo pôde acolhê-los. Agora eles estão em um lar adotivo temporário.”
“E o que acontece se ninguém levar os quatro?”, perguntei.
Ela suspirou. “Então eles serão colocados em segregações. A maioria das famílias não consegue acolher tantas crianças de uma só vez.”
“É isso que você quer?”
“É o que o sistema permite”, disse ele. “Não é o ideal.”
Mantive meus olhos fixos no arquivo.
“Vou levar os quatro”, eu disse.
“Os quatro?”, repetiu Karen.
Sim. Todos os quatro. Eu sei que existe um processo. Não estou pedindo que você os entregue amanhã. Mas se o único motivo para separá-los é porque ninguém quer quatro filhos… então sim.
Ela sustentou meu olhar. “Por quê?”
Porque eles já perderam os pais. Não deveriam perder um ao outro também.
Essa resposta levou a meses de avaliações e formulários intermináveis.
Uma conselheira com quem tive que me encontrar me perguntou: “Como você está lidando com o seu luto?”
“Não muito bem”, admiti. “Mas ainda estou de pé.”
A primeira vez que os vi pessoalmente, foi numa sala de estar pouco iluminada, com cadeiras diferentes umas das outras. Os quatro estavam encolhidos num sofá, com os ombros e joelhos colados um ao outro.
Sentei-me em frente a eles.
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