“Sim, você pode.”
Trabalhavam em silêncio: estavam arrumando o quarto que Marina alugara numa casa antiga. O pai dela instalava as prateleiras, ela pintava as paredes. Falavam pouco, mas se entendiam sem palavras.
Certa noite, enquanto lavavam as mãos depois do trabalho, bateram à porta. Marina abriu.
Victor estava lá.
Sóbrio, com a barba feita e vestindo um paletó limpo. Suas mãos estavam nos bolsos.
“Preciso falar com você.”
“Não há nada a dizer.”
“Marina… eu sei que você tem dinheiro. Me disseram… que ninguém tem. Eu preciso. Eu tenho dívidas, entende? Dívidas enormes. Me empreste, eu te pago de volta, prometo.”
Marina olhou para ele: para aquele homem com quem…
Ele tinha vivido vinte anos. Eu conseguia ver através dele: cada ruga, cada tique, cada mentira.
“Não.”
“Como assim, não?” Sua voz falhou. “Depois de todos esses anos! Eu não sou ninguém!”
“Exatamente. É por isso que não.”
De dentro da casa, chegou o pai dela. Enxugou as mãos com um pano e sentou-se ao lado de Marina sem dizer uma palavra.
Victor olhou fixamente para ele e depois se virou para Marina.
“Ah, então é isso? Você encontrou um pai e agora eu sou inútil?”
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