Aquela noite começou silenciosa demais para…

Aquela noite começou silenciosa demais para…

Ainda moramos no mesmo apartamento, mas já parece nosso. Os desenhos do Evan estão na geladeira. No parapeito da janela, há flores que eu hesitava em plantar; tinha medo de não conseguir cuidar delas.

Consegui um emprego de meio período. Um escritório pequeno, pessoas tranquilas. Ninguém lá sabe a história toda. E eu não preciso contá-la.

À noite, Evan e eu lemos. Às vezes ele adormece no meu ombro, e então eu fico deitada imóvel por um longo tempo, sentindo seu peso, seu calor, sua vida: a mesma vida que quase perdemos.

Já não acredito cegamente. Não acredito em sorrisos sem olhos. Não acredito em silêncios que parecem excessivamente formais.

Mas eu acredito em mim mesma.

Se algo dentro de mim se aperta, eu não ignoro. Ele nos salvou quando nossas mentes já estavam falhando.

Às vezes penso na versão de mim que ficava deitada no chão, fingindo estar inconsciente. Assustada, fraca, mas ainda tomando decisões. Eu parecia frágil.

Mas acabou sendo a mais forte.

Conclusão

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