Mark empalideceu. Olhou para os próprios sapatos. “Eu… eu não concordei. Eu só… eu não disse não. Mamãe estava… você sabe como ela é. Ela achou que isso ajudaria. Eu pensei… que talvez pudéssemos conversar sobre isso mais tarde.”
“Estão falando em dar nosso filho embora?”, perguntei. “Como se ele fosse um cachorrinho?”
“A Karen está tão triste, Elena”, implorou Mark. “E a mãe… ela não queria te magoar. Ela só é intensa. Por favor. Você é a juíza. Você pode fazer isso passar. Diga ao Mike que foi um mal-entendido. Não destrua a família por causa disso.”
“Um mal-entendido?” Eu ri, mas não havia humor nenhum. “Ela me deu um tapa, Mark. Ela quase arrancou meus cateteres. Ela aterrorizou nosso filho. E você quer que eu abuse do meu poder para salvá-la?”
“Ela é minha mãe!” gritou Mark. “A família vem em primeiro lugar!”
“Não”, eu disse. “Meus filhos vêm em primeiro lugar. E a lei vem em primeiro lugar.”
Peguei a jarra de água e me servi um copo com firmeza.
“Mark, você sabia desse plano. Você sabia que ela viria aqui para me intimidar e me fazer abrir mão dos meus direitos. Você sabia que ela me achava fraco porque eu escondia minha posição para proteger seu ego frágil. Você sabia que ela me chamou de inútil.”
“Eu… eu só queria paz”, gaguejou Mark. “Eu não queria escolher um lado.”
“Não há paz com predadores”, eu disse. “Mike, leve-a para a delegacia. Registre a ocorrência. Fiança máxima.”
“Elena!” Mark deu um passo à frente. “Se você fizer isso, acabou! Não vou ficar com uma mulher que colocou minha mãe na cadeia!”
“Ótimo”, eu disse. “Porque eu já elaborei mentalmente os papéis do divórcio enquanto sua mãe divagava. Você é cúmplice de uma tentativa de sequestro. Sugiro que encontre um advogado realmente bom. Melhor do que você.”
“Você não pode fazer isso”, sussurrou Mark, percebendo que sua vida estava desmoronando. “Eu sou seu marido.”
“Sim, posso”, eu disse. “Saia daqui. Meu advogado entrará em contato com você amanhã de manhã. Se você chegar a menos de 150 metros de mim ou dos meus filhos, revogarei sua licença da Ordem dos Advogados por conduta antiética mais rápido do que você pode dizer ‘objeção’”.
Mark olhou para mim. Ele viu a mulher que pensava ser uma dona de casa dócil. Viu a coluna de aço sob ela. Viu o juiz.
Ele se virou e correu atrás da mãe, não para salvá-la, mas para implorar que ela se calasse antes que piorasse as coisas.
Capítulo 6: O Tribunal e o Berço
Seis meses depois.
O tribunal federal fervilhava de atividade. Eu estava em meu gabinete, ajeitando minha pesada toga preta sobre os ombros. Meu escritório era silencioso, com estantes de mogno e diplomas emoldurados. Sobre minha mesa, havia uma foto emoldurada de Leo e Luna, agora com seis meses de idade, sentados e sorrindo com as gengivas desdentadas. Eles eram felizes, saudáveis e estavam seguros.
Minha escrivã, uma jovem perspicaz chamada Sarah, bateu à porta.
“Juiz Vance?”, disse ele. “A agenda está livre para a tarde. Mas… achei que o senhor deveria saber. O julgamento do Estado contra Sterling terminou há uma hora.”
Não levantei os olhos dos jornais. “E daí?”
“Culpada de todas as acusações”, disse Sarah. “Agressão, colocar criança em perigo e tentativa de sequestro. O juiz a sentenciou a oito anos. Sem direito a liberdade condicional por pelo menos quatro anos.”
“E o cúmplice?”, perguntei.
“Mark Sterling aceitou um acordo judicial”, respondeu Sarah. “Ele entregou sua licença para advogar e concordou com dois anos de liberdade condicional. Ele também assinou o acordo de custódia integral. Ele tem visitas supervisionadas uma vez por mês. Ele… chorou durante as alegações finais.”
Assenti com a cabeça. Não senti… nada. Nem alegria. Nem satisfação. Apenas a tranquila satisfação de ver um sistema funcionando como deveria.
“Obrigada, Sarah”, eu disse. “Só isso.”
Ela saiu, fechando a porta suavemente.
Levantei-me e caminhei até a janela, olhando para a cidade.
Eles me consideravam fraco por ser quieto. Me consideravam inútil por não me gabar do meu salário. Confundiram meu desejo de privacidade com falta de ambição.
A Sra. Sterling me chamou de “inapta”. Ela tentou tirar meu filho de mim porque achava que eu não tinha poder. Ela se esqueceu de que poder não se resume a gritar; trata-se de conhecer as regras e saber quando aplicá-las.
Voltei à escrivaninha. Peguei o martelo de madeira, sentindo seu peso na mão. Era sólido, equilibrado e inegável.
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