Nina estava de pé em uma sala pequena, quase vazia.

Nina estava de pé em uma sala pequena, quase vazia.

Entretanto, uma comoção irrompeu no corredor. Médicos e funcionários dirigiram-se lentamente até Greg, e os convidados começaram a cochichar sobre o que havia acontecido. A música parou, as risadas cessaram. Tudo ao redor parecia irreal. Nina ouviu alguém perguntar: “O que aconteceu?”. Mas ninguém realmente entendia o que havia acontecido.

Ela voltou para o corredor. Mikhail estava ao lado dela, com o rosto sereno, mas os olhos acompanhando cada movimento seu. Ele gentilmente colocou a mão em seu ombro, e havia algo reconfortante naquele gesto.

“Vai ficar tudo bem”, disse ela suavemente. “Você fez a coisa certa.”

Nina assentiu com a cabeça, mas as palavras não vinham. Ela sentiu a ansiedade gradualmente dar lugar à determinação. Ela não era mais a garota indefesa que um dia perdera o marido. Ela era mais forte, mais inteligente, mais observadora. E agora ela entendia que podia se proteger.

Os paramédicos levaram Greg embora e, aos poucos, o silêncio tomou conta do ambiente. Os convidados começaram a perceber que um incidente grave havia ocorrido, mas os detalhes exatos ainda não estavam claros. Alguém tentou falar com Nina, mas ela apenas sorriu levemente, sem dar nenhuma explicação. Seu mundo interior estava tão saturado de emoções e pensamentos que ela não conseguia compartilhar com ninguém naquele momento.

Mais tarde, quando tudo se acalmou e os convidados começaram a ir embora, Nina ficou sozinha na sala vazia. Olhou em volta: mesas cobertas de restos de comida, copos amarrados com fitas que agora lhe lembravam daquele momento terrível. Foi até seu copo, que ainda estava sobre a mesa, e o pegou com cuidado. Estava vazio. Seu coração se aliviou, mas a lembrança da troca de copos persistia.

Ela sentou-se numa cadeira, apoiando a cabeça nas mãos. Ainda se sentia pesada por dentro, mas também sentia uma onda de força. Uma força que nascia da certeza de ter escapado do perigo. Ela entendia que a vida nem sempre oferece segundas chances, mas quando oferece, é preciso agir com decisão e sem hesitação.

Ela se lembrou do primeiro marido, que havia morrido em um acidente. Naquela época, tudo aconteceu de repente, e Nina não pôde mudar nada. Agora a situação era diferente: ela tivera a chance de se proteger e a aproveitara. Essa constatação lhe trouxe uma estranha sensação de satisfação e paz.

 

 

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