
Levantei-me devagar, tentando disfarçar a tontura. O tilintar dos talheres, a conversa e o tilintar dos copos…
Sophie largou o garfo. Papai ficou tenso. Mamãe me olhou em pânico, como se dizer a verdade fosse um desastre natural. A expressão de Lucas mudou. “Clara, não faça isso aqui.” “Aqui? Onde?” perguntei. “Na mesa que eu paguei? Numa festa que eu organizei? Na frente de uma família que acha que você é responsável e eu sou só um sonhador?” O sorriso dele sumiu.
“Somos família”, disse ela, em voz mais baixa. “Esses assuntos são tratados em particular.” Senti algo dentro de mim se esclarecer pela primeira vez em muito tempo. Não era raiva. Era clareza. “É justamente por sermos família que tenho discutido isso em particular. Há meses. E é justamente por sermos família que escolhi continuar ajudando quando não deveria.” Peguei meu celular e o coloquei sobre a mesa. “Hoje revoguei minha procuração. Completa.”
Houve um silêncio absoluto. Lucas piscou. “O quê?” “Procuração. Acesso às minhas contas. Autorização para o carro. Poder para assinar em meu nome. Sumiram.”
Mamãe levou a mão à boca. “Clara…” Lucas se levantou abruptamente. “Você está brincando.” “Não.”
“Você não pode fazer isso sem avisar.” “Posso sim”, respondi calmamente. “E fiz.” Sua expressão mudou de incredulidade para irritação. “Você está me colocando numa situação impossível.” “Não”, eu disse. “Estou lhe contando a situação real.”
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