Demorei-me um pouco, vagueando pelos corredores ecoantes, preparando-me para a batalha. Ao sair, vi um carro familiar virar na minha rua. Vinha do bairro de casas de luxo… da direção da propriedade de Olympia Blackwood. Era o carro de Edith.
Um arrepio, estranho àquela noite, percorreu meu corpo. Não podia ser coincidência. A pequena chama de esperança que ardia dentro de mim se extinguiu lentamente. Meu único aliado, meu confidente… com eles? Será que sabiam de todo o meu plano?
No dia seguinte, chegaram os convidados. Jornalistas, antigos sócios do meu pai, o diretor do museu de história local. Eu os guiei, contando a história da fábrica, deixando-os absorver sua essência pura. O plano estava funcionando: eles viram uma lenda viva, não uma ruína.
O ponto alto da apresentação seria uma demonstração do nosso principal aparelho de destilação, o coração da perfumaria, onde um lote valiosíssimo de essência de íris branca estava sendo preparado. Assim que comecei a falar, ouvi um estalo seco. Uma fumaça densa e acre, com cheiro de borracha queimada, saiu do aparelho. Uma rachadura na serpentina de resfriamento. Todo o lote, arruinado, contaminado por um óleo técnico de odor fétido. Sabotagem.
À medida que o pânico aumentava, uma raiva gélida se alastrava dentro de mim. Entrei no centro. “Atenção, por favor!”, gritei. “O que vocês acabaram de presenciar não foi um acidente. Foi sabotagem.” Mais uma tentativa de destruir o trabalho do meu pai.
Contei-lhes tudo: os rumores, os fracassos. “Eles querem tomar esta fábrica, destruí-la e construir um shopping center sem nome no lugar. Mas eu não vou desistir. Enquanto eu viver, a Perfumaria Hayden continuará existindo.”
Houve alguns aplausos, mas ela sabia que era apenas uma vitória moral. Financeiramente, ela estava devastada.
Naquela noite, Sebastian me acompanhou até a porta. “Seu pai era um homem muito astuto, Maya”, disse ele em voz baixa. “Ele me deixou uma última instrução. Uma cláusula secreta em seu testamento, para ser revelada apenas em um caso: se suas tentativas de salvar a empresa fossem frustradas por interferência maliciosa da família.” Hoje, esse momento chegou.
Ele retirou outro envelope lacrado. Dentro, não havia dinheiro, mas a escritura do prédio no número 7 da Rue Industrielle. “Seu pai comprou este prédio há quinze anos, discretamente, por meio de uma empresa de fachada”, explicou Sebastian. Para todos, inclusive os Blackwoods, a Hayden Perfumery era apenas uma inquilina. Ao tentarem sabotar seus negócios, eles haviam, sem saber, colocado a arma mais poderosa em suas mãos.
O plano surgiu, claro e decisivo. “Vou despejar a Perfumaria Hayden do meu prédio”, disse eu, com a voz renovada e firme. “Vou falir a empresa. Deixarei que o banco assuma o maquinário antigo e as dívidas de Lázaro. E… abrirei uma nova empresa no meu prédio limpo, do zero, sem uma única dívida.”
Entreguei a notificação de despejo ao próprio Lázaro. Encontrei-o em seu luxuoso apartamento de solteiro, esparramado em um roupão de seda, com um sorriso presunçoso no rosto. “Veio implorar por misericórdia?”, perguntou ele com desdém.
Entreguei-lhe o papel. Vi sua expressão de satisfação transformar-se em fúria perplexa. “O que é isto?”, gritou ele. “Este edifício pertence à prefeitura!”
“Não mais”, respondi, saboreando cada palavra. “É meu.”
“Você acha que este prédio é seu?”, sussurrou ele com uma risada nervosa. “Que ingenuidade.” Ele desapareceu e voltou com um contrato de compra e venda, que enfiou bem na minha frente. Estava escrito em preto e branco que, cinco anos depois…
Anteriormente, meu pai havia vendido cinquenta por cento do prédio para a compradora: Olympia Blackwood.
Minha arma mais poderosa estava se tornando inútil. Eu estava encurralado.
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