As lágrimas corriam, não de queixa, mas de uma raiva amarga e ardente. Meu próprio pai. Ele havia planejado tudo. Minha execução pública.
Eu sabia que Lázaro era um homem fraco e ganancioso. Mais cedo ou mais tarde, seu ressentimento por ter sido comprado explodiria. Orquestrei esta humilhação, esta provação, para reduzir sua antiga vida a cinzas. Somente sobrevivendo a esta traição, quando você não tiver mais nada a perder, você se tornará a mulher forte o suficiente para liderar, forte o suficiente para proteger o que eu lhe deixarei. Este não é o seu fim, Maya. Este é o seu começo.
O advogado dobrou a carta. Permaneci em silêncio, atônita. A traição de Lázaro empalidecia em comparação com essa crueldade calculada. Meu marido era apenas um peão no jogo do meu pai. O homem que eu idolatrava, que eu acreditava ser pura bondade e afeto, havia me sacrificado — minha felicidade, minha reputação — em seu plano monstruoso.
“Que herança?”, consegui dizer com uma voz estranha.
Sebastian abriu uma pasta grossa. “Sua verdadeira herança, Maya, é a propriedade total da Perfumaria Hayden.”
Fiquei paralisada. A perfumaria, a antiga fábrica do meu avô, o coração da nossa família, a sua história. Depois da morte do meu pai, Lazarus assumiu o negócio. Eu nunca estive envolvida.
“A partir de hoje, você é o único e legítimo proprietário”, continuou o advogado. “Mas há condições. De acordo com o testamento, a empresa está à beira da falência. Está sobrecarregada com dívidas enormes. Seu pai se absteve deliberadamente de intervir em sua administração nos últimos anos.”
“Dívidas? Que dívidas?” sussurrei.
“São milhões”, ele interrompeu. “Você tem exatamente três meses para tornar o negócio lucrativo. Se falhar, a perfumaria será liquidada imediatamente para cobrir as dívidas.” Você não receberá nada.
Três meses. Milhões em dívidas. Uma empresa da qual eu não sabia nada. Não era uma herança. Era uma corda no pescoço. Mais um teste do meu pai. Ele me jogou na jaula do tigre para ver se eu sobreviveria.
Saí cambaleando do escritório, segurando as chaves de uma empresa.
Arruinado. Mal tinha saído quando um homem de terno elegante me entregou um envelope grosso. Dentro: uma intimação. Partilha de bens, apreensão de propriedade. E no final, endereçado ao autor da ação, um sobrenome que me fez estremecer: Lazarus Blackwood.
Ele entrou com o processo justamente na manhã em que recebi minha “herança”. O discurso dele, minha humilhação e agora isso: tudo foi um ataque coordenado. Minha herança não era uma ruína financeira; era uma isca. E meu marido tinha acabado de armar a armadilha.
O único lugar para onde ele podia ir era a fábrica. O velho prédio de tijolos vermelhos parecia abandonado; a placa na entrada estava desbotada e empoeirada. Lá dentro, um cheiro rançoso pairava no ar: uma mistura de lavanda, sândalo e uma nota fresca de limão, que se misturava à poeira e à umidade. Enormes alambiques de cobre se erguiam como gigantes silenciosos na penumbra. Era ali que Lázaro havia matado.
Edith chegou vinte minutos depois, como um furacão. “Chega de reclamações”, disse ela com firmeza. “Seu pai não planejou tudo isso para que você desistisse no primeiro dia. Ele queria que você lutasse. Então vamos lutar. Estou com você.”
Nos dias seguintes, mergulhamos num pesadelo de papelada. Faturas, extratos, contratos. Quanto mais investigávamos, mais assustador o cenário se tornava. Os fornecedores não estavam sendo pagos, os impostos estavam atrasados, as máquinas estavam quebrando. Lázaro havia desviado o último dinheiro da perfumaria para manter seu estilo de vida.
Certa noite, exausta, meu olhar recaiu sobre a velha escrivaninha do meu pai, abarrotada de tralha. Uma gaveta inferior estava emperrada. Ao me abaixar, senti uma irregularidade na parte de baixo. Um painel falso. Meu coração disparou. Pressionei; com um pequeno clique, o painel cedeu, revelando um esconderijo. Lá dentro: um fino livro-razão com capas pretas.
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