Rosa sentiu o coração apertar. Então a porta se abriu. Carla havia voltado mais cedo com duas amigas. “Rosa, prepare alguns aperitivos”, ordenou Carla. “E traga champanhe. O que você está fazendo aqui, Lorena? Ninguém te chamou. Vá para o seu quarto.” Lorena se levantou rapidamente, fez uma careta e deixou cair o garfo. “Que menina desastrada”, comentou uma amiga. Lorena se abaixou para pegar o garfo. Quando se levantou, Rosa viu: o moletom havia subido um pouco e, ali, sob o tecido, havia uma mancha escura.
Rosa esperou até que Carla se distraísse com as amigas, que zombavam de Lorena e falavam em mandá-la para um internato, e subiu até o quarto da menina. Ela conseguiu que Lorena lhe mostrasse as costas. O ferimento era enorme, necrosado. “Meu Deus!”, sussurrou Rosa. “Há quanto tempo você está assim?” “Oito meses.” “Como aconteceu?” “Ela me empurrou…”
Naquele instante, o celular de Rosa tocou. Era Júlia, sua filha. Ela estava sangrando, perdendo o bebê. Rosa se viu diante do maior dilema de sua vida: ir até a filha ou ficar com a criança que estava morrendo de infecção. “Júlia, eu não posso sair agora… Tem uma criança aqui que…” “Você está escolhendo o seu trabalho em vez de mim?” Júlia gritou e desligou.
Rosa chorou, mas sabia que se deixasse Lorena naquela noite, a menina poderia morrer de sepse. Ela tirou fotos do ferimento para ter provas. Na manhã seguinte, Rosa tentou conversar com Roberto antes que ele fosse embora, mas Carla interferiu, colocando Roberto contra Rosa antes mesmo que ela pudesse falar. Roberto a repreendeu e foi embora.
Rosa ficou sozinha na guerra. Roberto viajaria para a China em 15 dias. Ela precisava agir. Entrou em contato com a Dra. Patricia, uma advogada que a havia ajudado anos antes. “Precisamos de provas irrefutáveis, Rosa. Grave tudo.” E assim, Rosa começou a gravar.
O Resultado: A Contagem Regressiva
Faltavam três dias para a viagem de Roberto à China. A tensão em casa era insuportável. Lorena vivia com febre alta e delirava à noite. Carla, sentindo-se vitoriosa, organizou um jantar de despedida para Roberto com seus sócios e amigos da alta sociedade. Queria mostrar que era a esposa perfeita antes de ele partir por um mês.
“Quero tudo impecável, Rosa”, ordenou Carla. “E certifique-se de que aquela garota não desça. Tranque-a se for preciso. Não quero que ela estrague minha noite com essa cara de pena.”
Rosa, com o celular gravando no bolso, assentiu. “Sim, senhora.” Mas Rosa tinha outros planos. Ela vinha enviando tudo para a Dra. Patricia: gravações de áudio dos insultos, fotos da evolução do ferimento e registros da febre de Lorena, que não baixava de 39 graus.
O jantar começou às 20h. Risos, vinho caro, conversas sobre investimentos. Roberto presidia a mesa, sorrindo, mas olhando para o relógio. Lá em cima, Lorena gemia. “Rosa… dói tanto…” choramingou a menina. “Sinto que vou explodir por dentro.” Rosa tocou a testa da menina. Estava mais quente do que nunca. Sua respiração era superficial. “Chega”, disse Rosa, não como funcionária, mas como mãe. “Acabou.”
Rosa carregava Lorena nos braços. A menina, apesar de ter 9 anos, era tão magra que pesava como uma pluma. Ela desceu as escadas. Os saltos de Carla tilintavam na sala de jantar enquanto brindavam. “Ao sucesso de Roberto na Ásia…”, disse Carla, erguendo a taça.
“Sr. Roberto!” O grito de Rosa ecoou pela sala, silenciando o brinde. Todos se viraram. Rosa estava parada na porta, segurando Lorena, pálida e suada, nos braços, enrolada em um cobertor. Carla se levantou num pulo, com os olhos faiscando. “O que isso significa? Eu disse para você mantê-las lá em cima! Saia agora mesmo ou está demitida!” “Então estou demitida!” gritou Rosa, marchando em direção à mesa. “Mas primeiro, seu marido vai ver o que você vem escondendo debaixo do tapete há oito meses.”
Roberto se levantou, confuso. “Rosa, o que há de errado com Lorena?” “O que há de errado com ela?” Rosa colocou Lorena cuidadosamente no sofá branco da sala de estar, imediatamente o manchando com fluidos. “Sua filha está definhando, Sr. Roberto! E sua esposa sabe disso!”
Carla correu em direção a Roberto, agarrando-o pelo braço. “Ela está louca! Ela está mentindo! Lorena caiu na banheira hoje, é só um arranhão! Chamem a segurança!”
Rosa não discutiu. Simplesmente puxou o cobertor e levantou a blusa de Lorena, como fizera dias antes, mas agora, sob a luz do lustre de cristal, a visão era de pesadelo. O cheiro de carne necrosada e pus impregnava o ar, fazendo com que dois convidados tapassem o nariz. O silêncio era absoluto. A mancha preta e verde cobria quase toda a parte inferior das costas dela. “Meu Deus!” exclamou um dos sócios.
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