“Roberto?”
As sacolas de compras escorregaram das minhas mãos e caíram na varanda com um baque surdo.
Eu não conseguia falar.
Eu não conseguia respirar.
“Eu te enterrei”, finalmente consegui dizer, as palavras escapando da minha garganta como cacos de vidro.
O rosto de Marina desapareceu.
As lágrimas brotaram instantaneamente, mas não eram as lágrimas de alguém que havia sido resgatado.
Eram as lágrimas de alguém preso.
Clara apareceu atrás dela — Clara Rodriguez — de pé, saudável, vestindo um suéter limpo e com os cabelos bem penteados.
Não é frágil.
Eu não tremo.
Não tenho dificuldades.
Parecia… bom.
Então um homem apareceu atrás deles.
Desconhecido. Robusto. Talvez na casa dos quarenta. Rosto impassível, postura defensiva. Olhou para mim como se estivesse avaliando uma ameaça.
“Quem é?”, perguntou ele a Marina. A voz de Marina era um sussurro.
“Meu ex-marido.”
Ex-marido.
Aquela palavra doeu mais do que o funeral.
Doía porque ela disse isso como se sempre tivesse sido verdade. Como se o casamento que eu havia lamentado nunca tivesse existido como eu acreditava.
O olhar do homem oscilou entre Clara, Marina e eu.
Então ele perguntou indiferentemente, como se estivesse confirmando um boato:
“É este que tem o dinheiro?”
Senti um arrepio.
A verdade é que não foi por acaso que eu caí em cima de mim mesma.
Ela estava sem fôlego.
Dinheiro.
As transferências.
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