Por que uma postura tão ousada?

Por que uma postura tão ousada?

“Pelo menos põe a chaleira no fogo?”, perguntou por cima do ombro, pendurando o casaco no gancho. “Passei o dia todo de pé, estou cansado.”

Marina não se mexeu.

“Sério?”, perguntou ele finalmente, sem desviar os olhos da tela.

“O quê? Sério?” Andrzej serviu-se de um copo d’água e bebeu tudo de uma vez.

— Você realmente está disposto a me expulsar do meu próprio apartamento por causa da mamãe e da Lubka?

Andrzej suspirou como se tivesse feito uma pergunta estúpida.

“Ninguém vai te demitir. Só… temporariamente. Até o Lubka se recuperar.”

“Temporariamente”, repetiu Marina. “É como aquela piada: ‘Temporariamente até nos casarmos’. ‘Temporariamente até termos filhos’. ‘Temporariamente até comprarmos um carro’. E ‘temporariamente’ se estende por dez anos.”

“Você está exagerando de novo”, disse ele, sentando-se à minha frente e pegando um pacote de batatas fritas. “A Lubka está numa situação difícil. Ela tem três filhos, o marido a deixou e ela está desempregada. E nós temos um quarto vago.”

“De graça?” Marina ergueu as sobrancelhas. “Este é o quarto onde você guarda seu equipamento de treino, aquele que você usou pela última vez no século passado? Ou aquele onde você guarda suas antigas revistas de pesca?”

“Não se prenda tanto às palavras”, disse Andrzej, mastigando as batatas fritas. “Você não é estúpido. Sabe o que eu quero dizer.”

“Sobre sua mãe decidir como eu devo viver minha vida?” Ela finalmente desligou. “E em vez de impedi-la, você apareceu e disse: ‘É, mãe, o que você mandar.'”

—Não estou dizendo “tanto faz”—ela franziu a testa—. Estou pensando na minha família.

“Qual família?” Marina levantou-se abruptamente. “A nossa? Ou aquela que você está tentando salvar às minhas custas?”

“Você sempre faz todo mundo parecer um traidor”, disse Andrzej, jogando o pacote sobre a mesa. “Eu só estou tentando ajudar minha irmã!”

“Por minha conta”, respondeu Marina friamente. “Será que, se minha irmã precisasse de ajuda, você estaria igualmente disposto a ceder nosso apartamento para ela?”

-Você não tem irmãs.

– Exatamente. Mas tenho uma sogra que acha que tenho que tolerar as manipulações dela.

De repente, Andrés se levantou como se tivesse tocado em fogo.

—Chega! Você está se comportando como uma criança!

“E você é como um filhinho da mamãe”, respondeu Marina. “Só que não um filhinho da mamãe, mas dela.”

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