“Senhor, há uma criança morando na minha casa”: O que disse a pobre menina.

“Senhor, há uma criança morando na minha casa”: O que disse a pobre menina.

Não, não é longe”, respondeu a menina com um sorriso tímido, “ali na esquina”.

Herpa pensou em dar meia-volta e fugir. E se fosse seu filho? E se fosse outra criança?

E se isso fosse uma cruel brincadeira do destino? Mas quando ele olhou novamente naqueles olhos infantis, cheios de sinceridade, soube que não podia desistir.

“Você poderia me levar?”, ela finalmente perguntou. “Eu quero… eu só quero vê-lo. Se eu cometer um erro, eu vou embora.”

A garota hesitou, mordendo o lábio.

—Minha mãe pode ficar brava…

“Não se preocupe”, disse ela, com a voz trêmula. “Eu não vou te machucar. Só preciso saber se ele é meu filho.”

Ela olhou para ele por alguns segundos que pareceram durar uma eternidade.

Então ele assentiu lentamente, como se a coragem que conhecia estivesse crescendo em seu pequeno peito.

—Certo, venha comigo.

Caminhando pelas ruas estreitas, Herpa sentia que cada passo o aproximava de algo que poderia salvá-lo ou destruí-lo completamente.

Eu não sabia que naquela tarde não só encontraria meu filho, como também descobriria a verdade mais dolorosa que eu poderia ter imaginado.

A menina chamava-se Amália. Caminhava à frente, leve e confiante, apesar de estar descalça, desviando de poças e pedras como se conhecesse cada canto do bairro de cor.

Sua irmã caminhava alguns metros atrás, com o coração disparado.

O terno que outrora lhe conferira uma sensação de poder agora parecia ridículo em meio a essas ruas humildes.

“Às vezes ele fala do balanço vermelho”, comentou a menina sem se virar. “E do carro preto que fazia tanto barulho.”

Herpa parou abruptamente. O balanço vermelho estava em seu jardim, onde ela passava tantas tardes.

O carro preto era dele. Ele sentiu as pernas fraquejarem.

“É ele”, pensou ela, contendo as lágrimas. “Tem que ser ele.”

O caminho foi ficando cada vez mais estreito até que Amalia apontou para uma pequena casa com paredes rachadas, janelas azuis e tinta descascando.

—Nós moramos lá.

Herpa olhou para ela como se ela fosse a porta do céu… ou do inferno.

Ele respirou fundo, ajeitou o paletó sem esforço e deixou-se levar até a entrada.

A porta rangeu quando Amalia a abriu. Lá dentro, uma mulher as esperava na sala de estar.

Cláudia.

 

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