Nossos parentes sempre diziam:
“Antônio, você ainda é forte e saudável. Um homem não deveria viver sozinho para sempre.”
Ele simplesmente sorriu calmamente e respondeu:
“Quando minhas filhas estiverem estabilizadas, aí sim pensarei em mim.”
E eu realmente acreditava nisso.
Quando minha irmã se casou e eu consegui um emprego estável em São Paulo, ela finalmente teve tempo para cuidar da própria vida. Então, numa noite de novembro, ela nos ligou com um tom que eu não ouvia há anos: caloroso, esperançoso, quase tímido.
“Conheci alguém”, disse ela. “O nome dela é Larissa.”
Minha irmã e eu ficamos chocadas. Larissa tinha trinta anos, metade da idade do meu pai.
Ela trabalhava como contadora em uma seguradora local, era divorciada e não tinha filhos. Eles se conheceram em uma aula de ioga para idosos no centro comunitário.
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