Maya olhou fixamente para as nuvens.
“Meu pai teria sido mais rápido”, disse ele. “Ele não teria hesitado.”
“Seu pai parece incrível”, respondeu Jessica.
“Foi sim”, disse Maya.
Ela abriu uma foto em seu tablet: seu pai, de jaleco branco, com a inscrição DR. JAMES WASHINGTON, ENDOCRINOLOGIA PEDIÁTRICA costurada no bolso, sorrindo e abraçando Maya, que usava um estetoscópio grande demais.
“Ele costumava me levar ao hospital nos fins de semana”, disse ela suavemente. “Deixava-me acompanhar as visitas médicas. Às dez horas, eu já estava lendo seus diários. Ele dizia que tinha um dom. Nós escrevemos três artigos juntos antes de ele morrer.”
“O que aconteceu?”, perguntou Jessica.
“Câncer de pâncreas”, disse Maya. “Estágio quatro. Ele trabalhava em um hospital público, com poucos funcionários e poucos recursos. Ele teve sintomas por meses, mas continuou adiando os exames. Estava muito ocupado tentando salvar os filhos dos outros. Quando finalmente recebeu o diagnóstico, já era tarde demais. Ele morreu seis meses depois, aos trinta e oito anos.”
“Oh, Maya”, sussurrou Jessica.
“O hospital não tinha dinheiro para certos tratamentos mais modernos”, continuou Maya. “Ela poderia ter vivido mais. Salvado mais crianças. Mas o sistema…” Ela balançou a cabeça. “O sistema falhou com ela.”
Jessica enxugou os olhos.
“Essa é a pior parte”, disse Maya. Três meses antes de morrer, ela se candidatou a uma bolsa de pesquisa. Seu objetivo era desenvolver testes diagnósticos de baixo custo para distúrbios adrenais em bebês. Para hospitais públicos, clínicas rurais e centros de saúde comunitários. Para salvar crianças como Andrew antes que a crise acontecesse.
“O que aconteceu?”, perguntou Jessica.
A fundação
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