Ela queria um emprego como designer. Julian ergueu uma sobrancelha. Sério? Que coincidência conveniente. Exatamente. Primeiro ela tenta entrar na empresa pelos fundos, e quando falha, aparece com um medalhão e uma história comovente. “Muito suspeito”, disse Julian, embora a dúvida ainda persistisse em seus olhos.
Enquanto isso, Amelia continuava a se adaptar ao Torbellinum, o que significava descobrir sua avó e uma família desconhecida. Elena frequentemente a convidava para a mansão, mostrando-lhe lembranças de Isabel e contando-lhe anedotas da infância de sua mãe. Leo se sentia cada vez mais à vontade, vagando pelos enormes corredores, brincando nos jardins e, principalmente, compartilhando longas partidas de xadrez com sua nova avó, Elena.
Mas a tensão entre Julian e Beatrice era constante. Eles mal trocavam palavras com Amelia, e quando o faziam, era com frieza ou sarcasmo. Certa tarde, Beatrice entrou na sala de estar onde Amelia folheava um álbum de fotos com Leo. “Interessante”, disse a mulher com um sorriso gélido. “Dizem que sangue não mente, mas às vezes os impostores são muito convincentes.”
Amelia fechou o álbum de fotos e se levantou. “Já disse antes, não estou atrás de dinheiro.” “Então o que você quer?”, perguntou Beatrice sarcasticamente. “Conforto, um sobrenome que abra portas.” Leo, desconfortável, recuou para os braços da mãe. Amelia o abraçou forte. “Eu só quero a verdade. E meu filho merece saber quem é a sua família.”
Beatrice estalou a língua e saiu da sala com um ar de desdém. Naquela mesma noite, um homem se aproximou de Amelia enquanto ela buscava Leo na escola. Ele era alto, corpulento, vestia um terno cinza e tinha um olhar calculista. “Amelia Reid”, perguntou ele com voz grave. “Sim.” “Quem é você?” “Meu nome é Marcus Hall.”
Represento certos interesses da família Vans. Amelia franziu a testa, desconfiada. “E o que você quer?” O homem baixou um pouco a voz, como se estivesse compartilhando um segredo. “Tenho uma proposta que pode lhe interessar. Estou ouvindo. Um milhão de dólares em dinheiro vivo. Em troca, você renuncia a qualquer direito à herança e desaparece da vida da família.” Amelia congelou.
Ela não estava brincando. E era melhor aceitar. Se recusasse, sua vida ficaria muito difícil. Ela poderia perder o emprego, a casa, e eles poderiam até contestar a guarda da criança. Amelia apertou a mão de Leo, que a olhava confuso. “Vamos, querida. Pense bem nisso”, disse Marcus enquanto se afastavam.
“Um milhão é mais do que ela vai ganhar em toda a vida.” Naquela noite, Amelia não conseguiu pregar o olho. O dinheiro representava a solução para todos os seus problemas financeiros. Mas a ideia de abandonar a avó e trair a memória da mãe era insuportável. Leo a observava seriamente da cama. “Mãe, quem era aquele homem?” “Um homem mau, filho.”
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