Olhei para a estrada vazia, a calçada escorregadia, as bochechas coradas do bebê.
Minhas filhas estavam dormindo em camas quentinhas na casa da minha mãe.
Essa criança estava aqui fora, no frio.
Antes que o medo tivesse tempo de argumentar, as palavras saíram da minha boca:
“Tudo bem. Entre. Você pode ficar na minha casa hoje à noite.”
Seus olhos se abriram de repente.
“O quê? Não, eu não posso. Você nem me conhece.”
“É verdade”, eu disse. “Mas eu sei que está congelando, e você está segurando um bebê. Por favor, entre.”
Ela hesitou por apenas um segundo.
Então ela abriu a porta e entrou no carro, ainda segurando o bebê com força, como se fosse uma armadura.
No instante em que o ar quente o tocou, ele soltou um pequeno grito de cansaço.
“Qual é o nome dele?”, perguntei enquanto saía da calçada.
“Oliver”, disse ela, e seu rosto suavizou-se instantaneamente. “Ele tem dois meses de idade.”
Ela o ajeitou delicadamente.
“Eu sou Laura”, acrescentou ela.
“Sou uma mãe exausta”, respondi. “É o máximo de nome que consigo usar.”
Ela soltou uma risada baixa e surpresa.
Durante todo o trajeto, ela não parou de se desculpar.
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