Deixei uma mãe e seu bebê ficarem na minha casa dois dias antes do Natal — e na manhã de Natal chegou uma caixa com meu nome.

Deixei uma mãe e seu bebê ficarem na minha casa dois dias antes do Natal — e na manhã de Natal chegou uma caixa com meu nome.

“Ei”, gritei. “Você está bem?”

Ela estremeceu, depois deu um passo à frente.

De perto, ela parecia exausta além das palavras — olheiras, lábios rachados, cabelo preso em um coque que já havia se desfeito há muito tempo.

“Eu…” Ela fez uma pausa, engolindo em seco. “Perdi o último ônibus.”

Ela apertou ainda mais o bebê contra o corpo.

“Não tenho para onde ir esta noite.”

Ela não chorou.

Ela disse isso calmamente, como alguém que já havia gasto todas as suas energias para assimilar a situação.

“Você tem alguém por perto?”, perguntei. “Família? Amigos?”

“Minha irmã”, disse ela. “Mas ela mora longe.”

Ela desviou o olhar, constrangida.

“Meu celular descarregou. Achei que ainda tinha mais um ônibus. Me enganei com os horários.”

O vento açoitou o abrigo de ônibus.

Post navigation

Leave a Comment

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

back to top