“Ei”, gritei. “Você está bem?”
Ela estremeceu, depois deu um passo à frente.
De perto, ela parecia exausta além das palavras — olheiras, lábios rachados, cabelo preso em um coque que já havia se desfeito há muito tempo.
“Eu…” Ela fez uma pausa, engolindo em seco. “Perdi o último ônibus.”
Ela apertou ainda mais o bebê contra o corpo.
“Não tenho para onde ir esta noite.”
Ela não chorou.
Ela disse isso calmamente, como alguém que já havia gasto todas as suas energias para assimilar a situação.
“Você tem alguém por perto?”, perguntei. “Família? Amigos?”
“Minha irmã”, disse ela. “Mas ela mora longe.”
Ela desviou o olhar, constrangida.
“Meu celular descarregou. Achei que ainda tinha mais um ônibus. Me enganei com os horários.”
O vento açoitou o abrigo de ônibus.
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