Enquanto caminhava em direção à área de maternidade, carregando uma pequena sacola de presentes, ouvi uma voz familiar vinda de uma porta entreaberta.
Rodrigo. Meu marido.
“Ela não faz ideia”, disse ele com uma risada arrogante. “Pelo menos é um bom caixa eletrônico.”
Meus pés pararam instantaneamente. Cada nervo do meu corpo se tensionou.
Então ouvi a voz da minha mãe. Calma. Confiante. Cruel.
— Vocês dois merecem ser felizes. Ela é inútil. Nunca serviu para nada.
Meu estômago embrulhou. Minhas mãos ficaram dormentes.
E então Camila. Minha própria irmã. Rindo.
— Obrigada, mãe. Agora vamos construir nossa família.
Por um instante, o mundo girou ao meu redor. Suas vozes se misturavam num zumbido distante, como se eu estivesse afundando, me afogando sob o peso de cada palavra que acabara de ouvir. Meu marido. Minha mãe. Minha irmã. Falando com total naturalidade. Cruéis. Como se eu não existisse. Como se meu único propósito fosse financiar suas vidas secretas.
Dei mais um passo em direção a ele, quase sem fôlego. Então, as palavras seguintes despedaçaram o pouco que restava da minha realidade.
“O bebê é a minha cara”, disse Rodrigo, orgulhoso. “Nem precisamos de teste de DNA.”
Minha mãe murmurou em concordância. Camila sussurrou, tomada por um orgulho doentio:
— Esta é a nossa família agora.
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