Lágrimas escorriam por suas bochechas. Atrás dela, um avião da Asure Wings decolava. À sua frente estava o homem que a amava do jeito que ela era, que não tentava mudá-la, que a aceitava completamente com seu trabalho, suas responsabilidades, sua paixão pelo céu. “Sim”, ela sussurrou então, mais alto. “Sim, claro. Sim.” Daniel se levantou, colocou o anel em seu dedo e a abraçou. Eles permaneceram no telhado, se beijando, enquanto lá embaixo, aviões continuavam a decolar, levando os sonhos dos passageiros para diferentes cantos do mundo.
O casamento aconteceu na primavera seguinte. Uma cerimônia pequena e íntima na propriedade da família Holmes em Cotswalls. Apenas seus familiares e amigos mais próximos estavam presentes: sua mãe com Jaime, Sofia, que foi dama de honra, Pedro, Natalia e vários outros funcionários da Asure Wings que se tornaram verdadeiros amigos ao longo dos anos, além da família de Daniel. Victoria usava um vestido branco simples, porém elegante, com os cabelos soltos e maquiagem leve. Ela parecia feliz, verdadeiramente feliz.
Não como uma empresária de sucesso, nem como dona de uma companhia aérea, mas simplesmente como uma mulher que encontrou o amor quando trocaram votos e alianças, quando o padre os declarou marido e mulher. Um avião, um dos aviões da Asure Wings, sobrevoava a propriedade em um passeio turístico. O piloto, ao saber do casamento dos proprietários, voou baixo sobre a propriedade e acenou. Os convidados riram e aplaudiram. Victoria olhou para o céu e acenou para o avião.
Daniel passou o braço em volta dela. “Nem mesmo no dia do seu casamento o céu vai te deixar ir”, brincou ele. “E eu também não quero que me deixe ir.” Victoria sorriu. “Faz parte de mim, faz parte de nós agora.” “Eu sei”, ele a beijou, “e eu te amo por isso.” Mais três anos se passaram. Victoria completou 36 anos. A Sure Wings comemorou seu 35º aniversário. A empresa estava no auge: 150 aeronaves, 80 rotas, 5.000 funcionários; uma das companhias aéreas mais respeitadas do mundo. Mas o evento mais importante da vida de Victoria não aconteceu no escritório ou em uma cerimônia de premiação.
Aconteceu na maternidade do Chelsea, numa fria manhã de janeiro. Victoria segurava um pequeno embrulho nos braços. Sua filha, Emilia Roberta Harrison, nomeada em homenagem à avó Isabel e ao avô Roberto. Um bebê perfeito, com dedinhos delicados e cabelos loiros e macios. Daniel estava sentado ao lado dela, com o braço em volta dos ombros da esposa, olhando para a filha com infinita ternura. “Ela é linda”, sussurrou ele, “absolutamente linda, igualzinha ao pai.” Victoria sorriu, sem nunca desviar os olhos do bebê.
Isabel estava ao lado da cabeceira da cama, enxugando as lágrimas de alegria. “Papai ficaria tão feliz”, disse ela, “em ver a neta. A continuidade da família Holmes está nos observando.” Victoria olhou para o teto como se estivesse contemplando o céu. Tenho certeza de que ele nos vê e sorri. Naquela noite, quando Victoria estava sozinha com a filha, Daniel foi para casa trocar de roupa e pegar algumas coisas. Ela estava sentada perto da janela da maternidade, embalando Emilia.
“Sabe, minha pequena”, ele sussurrou, “seu avô era um homem incrível. Ele construiu uma empresa enorme do zero, mas o mais importante é que ele me ensinou que negócios não são só sobre dinheiro, são sobre pessoas. Vou tentar te ensinar a mesma coisa quando você crescer. Se quiser, você pode administrar a Asure Wings, continuar a tradição, mas só se for o seu sonho, não o meu, não imposto a você, mas sim o seu próprio. E enquanto isso, apenas cresça. Seja feliz, meu amor. Lembre-se, você pode ser o que quiser, fazer o que quiser, voar para onde quiser.”
O mundo inteiro está diante de você, e mamãe e papai sempre estarão lá, sempre.
A pequena Emilia dormia, respirando pelo nariz, sem entender as palavras, mas sentindo o calor e o amor. E lá fora, pela janela, no céu noturno de Londres, as luzes dos aviões cintilavam. Em algum lugar, aviões da Sure Wings estavam voando. Eles estavam levando pessoas aos seus sonhos, aos seus entes queridos, aos seus destinos. E Victoria sabia que sua vida tinha se desenrolado exatamente como deveria.
Entre dores e alegrias, contratempos e triunfos, humilhações e vitórias, ela se tornou quem queria ser: não apenas dona de uma empresa, mas uma líder, uma mãe, uma esposa, uma pessoa que mudou o mundo para melhor. Mais cinco anos se passaram. A Asure Wings comemorou seu 40º aniversário. Uma grande cerimônia em Londres. Milhares de convidados, representantes governamentais, autoridades da aviação, parceiros e funcionários de toda a Europa. Victoria estava no palco. Ao seu lado, sua família.
Daniel de mãos dadas com Emilia, de cinco anos, que usava um vestido branco e um laço no cabelo. Isabel com Jaime; Sofía, que se tornou não apenas assistente, mas também vice-diretora geral; Pedro, que ainda protegia fielmente os interesses da empresa; Natalia e dezenas de outros funcionários que se tornaram lendas na Asure Wings. “Quarenta anos atrás”, disse Victoria ao microfone, dirigindo-se à sala, “meu pai, Roberto Holmes, comprou um pequeno avião e começou a fretar voos entre Londres e Paris.”
Sonhei em criar uma companhia aérea que não apenas transportasse pessoas, mas as conectasse, tornando o mundo um lugar menor e mais gentil. Nestes 40 anos, percorremos um longo caminho: de um avião para 200, de duas cidades para 100, de 10 funcionários para 7.000. Vivenciamos crises e triunfos, quedas e ascensões, mas nunca nos esquecemos do que é mais importante: as pessoas — nossos passageiros, nossos funcionários, nossa família. Ela olhou para a filha, que a observava com os olhos arregalados. Não sei o que será da Asure Wings nos próximos 40 anos.
Talvez minha filha assuma o comando, talvez outra pessoa, mas uma coisa eu sei: a empresa prosperará enquanto nos lembrarmos do porquê de estarmos aqui. Não estamos aqui pelos lucros, embora eles sejam importantes, nem pela fama, embora o reconhecimento seja bom. Estamos aqui pelas pessoas, para ajudar alguém a ver o mundo, encontrar seus entes queridos, começar uma nova vida, realizar um sonho. É disso que se trata a Azure Wings. E enquanto nos lembrarmos disso, voaremos. A sala irrompeu em aplausos.
A multidão se levantou. A ovação durou vários minutos. A pequena Emilia batia palmas junto com todos, mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo. Após a cerimônia, quando os convidados se dispersaram, Victoria subiu ao terraço do prédio, seu lugar favorito. Daniel e Emilia a acompanharam. Os três ficaram lá, contemplando o céu. O sol se punha, pintando as nuvens em tons de dourado e rosa. Aviões decolavam e pousavam, deixando rastros de condensação na imensidão azul.
“Mamãe, você tem mesmo todos esses aviões?” perguntou Emilia, apontando para o céu. “Não todos, querida.” Victoria sorriu, ajoelhando-se ao lado da filha. “Só os que têm escrito ‘como suas asas’. Está vendo aquele avião com a faixa azul na lateral? É um dos nossos. Lindo.” Emilia o contemplou com admiração. “E eu vou poder voar neles.” “Claro.” Victoria abraçou a filha. “Você vai poder voar para onde quiser, em qualquer lugar do mundo. O céu é liberdade, Emilia.”
A chance de ver como o nosso mundo é vasto e belo.
E quando eu crescer, também vou pilotar aviões. Victoria trocou um olhar com Daniel. Ele estava sorrindo. “Se você quiser”, disse Victoria gentilmente, “você pode ser piloto, ter sua própria empresa como eu, ser arquiteto como o papai, médico, professor ou o que você preferir. O importante é fazer o que você ama e nunca se esquecer das pessoas: ajudá-las, respeitá-las, tornar o mundo um lugar melhor. É isso que realmente importa. Vou me lembrar disso, mãe.” Emilia assentiu com seriedade.
Eles permaneceram mais um pouco no terraço, observando o pôr do sol e os aviões passando. Família, uma família feliz e completa. Victoria tinha tudo: o emprego que amava, um marido carinhoso, uma filha linda, uma mãe que havia encontrado a felicidade, um negócio próspero, amigos que a apoiavam. E ela sabia que tudo isso era resultado da decisão que tomou muitos anos atrás, quando se reergueu após a queda, quando se recusou a ter medo da humilhação, quando lutou por justiça, quando colocou as pessoas em primeiro lugar.
A vida é uma série de decisões, e cada uma delas nos molda, nos torna quem somos. Victoria escolheu a honestidade, a dignidade, o respeito pelos outros, e a vida a recompensou. Ela olhou para o céu, onde a primeira estrela despontava entre as nuvens. “Obrigada, pai”, sussurrou, “por tudo que você me ensinou. Fiz tudo o que você queria, e até mais. Espero que você esteja orgulhoso de mim.” O vento trouxe o som de um motor de avião decolando. Victoria sorriu. Essa era a sua resposta. O céu sempre lhe respondia porque o céu era o seu destino, a sua vocação, o seu amor.
A Asur Wings continuou voando, conectando continentes, encurtando distâncias, ajudando pessoas a se encontrarem, a realizarem seus sonhos e a viverem a vida plenamente. E em cada voo, no sorriso de cada comissário de bordo, em cada pouso seguro, vivia o espírito de Roberto Holmes e o espírito de sua filha Victoria. Pessoas que acreditavam que a aviação não é apenas um negócio, mas a arte de fazer as pessoas felizes, a oportunidade de dar asas aos sonhos. É uma forma de mostrar que o mundo é belo e vasto, e que todos merecem vê-lo.
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