Com o rosto pálido como cera e mãos trêmulas.
A mulher que mantivera sua casa impecável por quinze anos agora parecia estar tomada pelo pânico.
“O que houve, Marta? Onde está minha esposa?” Ricardo conseguiu perguntar, mas ela não o deixou terminar.
Ele a segurava com uma força que parecia impossível para seu pequeno corpo.
“Por favor, Dom Ricardo”, ela implorou, com a voz embargada pela emoção. “Por favor… confie em mim só desta vez. Não faça perguntas.”
Antes que ele pudesse protestar, Marta o arrastou em direção ao armário do corredor: aquele espaço escuro que ele sempre ignorava, cheio de casacos velhos e caixas esquecidas. A porta se fechou, deixando apenas uma fresta.
A respiração de Ricardo ficou acelerada. O que diabos estava acontecendo em sua própria casa?
Então ele os ouviu.
Risos, o tilintar de copos, e ele reconheceu a voz feminina que ouvia todas as manhãs há dez anos: Elena, sua esposa… mas ela não estava sozinha.
O guarda-roupa cheirava a naftalina e madeira úmida. Ricardo sentiu o coração batendo forte no peito como o de um animal enjaulado.
Através da pequena abertura, ele podia ver fragmentos do salão principal.
As luzes estavam acesas com uma intensidade quase provocativa.
Marta ficou imóvel ao lado dele, prendendo a respiração.
O riso tornou-se mais nítido.
Agora havia cumplicidade, intimidação.
Ricardo cerrou os punhos…
Ricardo cerrou os punhos e sentiu o sangue subir à cabeça, quente e fervendo, como se quisesse arrancá-lo do armário e socar quem quer que estivesse lá fora. Mas a mão de Marta sobre sua boca era uma âncora.
“Não…” ela murmurou sem voz, movendo apenas os lábios. “Por favor.”
Ricardo engoliu em seco e se obrigou a respirar pelo nariz. O ar cheirava a naftalina e umidade, mas também cheirava a verdade. Uma verdade que, a julgar pelo jeito que Elena ria… ele não ia gostar.
A voz masculina soou novamente, mais perto agora, como se ele tivesse se acomodado novamente no sofá.
—Há três dias, você disse… E se ele voltar hoje?
Elena soltou uma risada baixa e cruel.
—Ricardo não volta “hoje”. Ricardo volta quando sua agenda permite. Ele é um homem de rotina. Se eu digo “reunião em Monterrey”, ele vai. Se eu digo “voo atrasado”, ele acredita. Se eu digo “sinto sua falta”… ele até acredita nisso.
Um baque seco ecoou: um copo caiu sobre a mesa.
“E o documento…” perguntou o homem. “Você está pronto?”
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