Mas ele não entrou.
Em vez disso, ouvi o som firme de saltos altos no piso de madeira. Uma mulher entrou na sala com a confiança de quem tinha todo o direito de estar ali. Não reconheci sua voz nem seu perfume. Ela colocou o celular no viva-voz e fez uma ligação.
Quando ouvi quem atendeu, meu corpo inteiro congelou.
Era Daniel.
“Você já se livrou dela?”, perguntou ele impacientemente. “Ela deve ter adormecido. Só preciso desta noite. Depois da lua de mel, tudo estará resolvido.”
Meu coração estava batendo tão forte que achei que ela pudesse ouvir.
“Você se livrou dela?” “Resolvido”? O que isso significa?
A mulher riu, uma risada zombeteira que me embrulhou o estômago.
“Não consigo acreditar. Casar com ela só pelo dinheiro do investimento… E ela ainda acha que você está apaixonado.”
E então tudo fez sentido.
Os duzentos mil reais do meu fundo de investimento — o mesmo dinheiro que transferi para nossa conta conjunta dois dias antes do casamento, porque Daniel insistiu que era um “gesto de união”.
O argumento de que o dinheiro estaria “mais seguro” com ele porque ele “entendia de finanças”.
Debaixo da cama, com poeira grudada na boca e no cabelo, tive que tapar os lábios com a mão para não gritar.
Eles continuavam falando como se eu fosse um item descartável.
“Vou vender o apartamento amanhã”, disse a mulher. “Você fica com a parte dele e some. Ele nunca vai saber.”
“Eu sei”, respondeu Daniel. “Ela confia demais. Isso torna tudo mais fácil.”
Naquele momento, algo dentro de mim mudou.
A dor se transformou em fúria.
A fúria em lucidez.
A lucidez em força.
Uma parte de mim morreu ali mesmo.
Mas outra parte — uma que eu nem sabia que existia — despertou.
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