Eu dirijo um ônibus escolar: mesma rota, mesmas crianças… até ela aparecer. Todas as manhãs, ela entra por último, de cabeça baixa, e enfia apressadamente alguma coisa embaixo do mesmo assento, como se estivesse apavorada que alguém a visse. Hoje, finalmente fui até o fundo do ônibus. “O que você está escondendo?”, perguntei. Ela estremeceu, mal respirando, e sussurrou: “Por favor… não. Eles vão machucá-lo.” Mexi embaixo do assento dela… e meu sangue gelou. Porque não era uma sacola. Era uma prova.

Eu dirijo um ônibus escolar: mesma rota, mesmas crianças… até ela aparecer. Todas as manhãs, ela entra por último, de cabeça baixa, e enfia apressadamente alguma coisa embaixo do mesmo assento, como se estivesse apavorada que alguém a visse. Hoje, finalmente fui até o fundo do ônibus. “O que você está escondendo?”, perguntei. Ela estremeceu, mal respirando, e sussurrou: “Por favor… não. Eles vão machucá-lo.” Mexi embaixo do assento dela… e meu sangue gelou. Porque não era uma sacola. Era uma prova.

A princípio, pensei que fosse um celular. Depois, que ela estivesse escondendo comida. Mas, durante duas semanas, o gesto se repetiu com uma precisão perturbadora. Lucía mantinha o capuz levantado mesmo quando estava calor, e quando um colega se aproximava, ela se encolhia como se esperasse ser atingida.

Na quinta-feira, Diego — o mais irritante de todos — queria sentar-se ao lado dela. Lucía disse “não” sem levantar os olhos. Diego insistiu em tom de brincadeira, e ela o empurrou com força desesperada. Tive que intervir: “Cada um no seu lugar”. Lucía rangeu os dentes; seus nós dos dedos estavam brancos.

Hoje, sexta-feira, vi algo que finalmente me deixou em alerta. Antes de subir as escadas, Lucía olhou para a esquina do prédio. Um homem fumava, encostado em um carro. Quando nossos olhares se cruzaram, ele ergueu o queixo, como se estivesse demarcando território. Lucía correu para dentro e escondeu “aquilo” novamente.

Na escola, esperei que todos saíssem do carro. Desliguei o motor e caminhei pelo corredor. Lucia ainda estava sentada, imóvel, como se não soubesse para onde ir quando todos os outros saíram.

—Lucía—Eu disse—. O que você está escondendo?

Ela engoliu em seco. Pela primeira vez, olhou para mim. Estava tremendo.

“Por favor… não”, ela sussurrou. “Se eles o virem… eles o matarão. Eles… eles o machucarão.”

-A quem?

Ela apontou para o assento sem tocá-lo. Lágrimas silenciosas escorreram de seus olhos.

Abaixei-me e estendi a mão por baixo do assento. Não era uma bolsa. Tirei de lá um estojo transparente: um pen drive, fotos impressas e um laudo médico carimbado. A primeira foto mostrava um menino com o rosto inchado e um curativo na sobrancelha. Na borda, com a letra de Lucía: “Mateo. Não foi uma queda.”

Meu sangue gelou.

E então, atrás de mim, a porta do ônibus se abriu com um estrondo alto.

Não me virei bruscamente; fiz isso devagar, para ganhar alguns segundos. O homem do carro estava lá, no primeiro degrau, com fumaça ainda pairando no canto dos lábios. Alto, jaqueta escura, com a aparência de quem acha que tudo lhe pertence.

“O que você está fazendo aqui?”, perguntou ele, sem cumprimentá-la. “A moça está sempre atrasada. Desça agora, Lúcia.”

Lucía encostou-se na cadeira. Seus olhos percorreram o estojo de lápis em minhas mãos até o rosto do homem. Compreendi imediatamente: ele não era um pai preocupado; era um segurança.

“O ônibus está fora de serviço”, eu disse, parado no meio do corredor. “Os alunos entraram.”

Ele deu um passo, como se eu fosse uma cadeira mal posicionada.

—Não se meta, motorista. É um assunto de família.

A mala pesava uma tonelada. Não consegui colocá-la de volta debaixo do banco e não podia deixá-la sozinha. Respirei fundo e procurei uma saída simples, legal e rápida.

—Vou acompanhar a Lucía até a sala da diretora—eu disse. Se houver algum problema de horário, conversaremos lá.

O homem sorriu sem humor.

—Endereço? Pra quê? Vamos lá, Lucia.

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