Eu não gostei.
Não comentei.
Em vez disso, enviei-lhe uma mensagem de texto:
—Querida, também vou transferir um pouco de dinheiro para você, para sua segurança, ok?
Quase instantaneamente, ela respondeu com um emoji de aceno rápido e uma frase que me deu ânsia de vômito:
—Claro. Use, esposa. Você trabalhou muito.
Tão artificial que tinha um gosto amargo.
Ele provavelmente pensou que eu gastaria alguns milhares: compraria uma bolsa, faria um tratamento facial, gastaria um pouco para “me sentir melhor”. Ele ainda acreditava que eu era a mesma Olivia: cegamente apaixonada, presa, acreditando em tudo o que ele dizia.
Olhei para a mensagem dele. Meu dedo pairou sobre a tela de transferência.
Então escrevi o valor total.
1.200.000.
Senha.
Confirmar.
Meu celular vibrou levemente. Apareceu outra notificação do banco:
Encarei o número por alguns segundos.
Sem pânico.
Sem hesitação.
Apenas uma leveza estranha e pura.
Salvei a captura de tela, junto com a anterior do saque de US$ 3.000 dele, e as guardei no meu álbum bloqueado. Depois, fui até a janela.
Lá fora, a mesma cidade familiar, o trânsito fluindo como água.
Mas, naquele momento, meu mundo nunca me pareceu tão imaculado.
Parte 3:
Oito anos.
Eu fiquei, cuidei da casa, apoiei a carreira dele, cuidei da família dele e vivi como a esposa ideal. Ele disse que precisava construir um futuro no Canadá, que se estabeleceria lá por oito anos e depois voltaria. Ele prometeu:
Olivia, espere por mim. Voltarei e lhe darei um futuro melhor.
Descobri que o futuro que ele pintou nunca me incluiu.
Eu só queria que aqueles oito anos consumissem meu dinheiro e arruinassem o que restava da minha juventude. Queria que eles me deixassem como cuidadora residente da família, babá gratuita, caixa eletrônico gratuito.
Meu celular começou a vibrar como se estivesse possuído.
A tela ficava mostrando o mesmo nome de contato repetidamente:
Marido. Marido. Marido.
Observei. Não respondi.
Parecia o canto fúnebre de um casal que havia morrido há muito tempo.
Após cinco minutos, as chamadas finalmente cessaram. Dez segundos depois, surgiu uma solicitação de chamada de vídeo.
Chris ainda não conseguia aceitar.
Imaginei-o atualizando o aplicativo do banco, encarando US$ 0,01, tentando se convencer de que era uma falha. Atraso do sistema. Erro do banco. O dinheiro “vai voltar”.
Mas não era isso.
Fui eu, Olivia, quem finalmente se recusou a continuar atuando em seu roteiro.
Atendi o telefone. Não respondi.
Em vez disso, movi-me com cliques calmos e deliberados:
Bloquear conta.
Bloquear número.
Excluir nossa conta conjunta no jogo.
Desinstalar o jogo onde um dia “construímos uma vida”.
Apagar as fotos restantes do meu álbum.
Cada pequeno passo era como uma tesoura cortando o último fio que nos separava. E durante todo esse tempo, minha mente permaneceu imóvel, como águas calmas.
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