Seis meses se passaram desde que os papéis do divórcio foram assinados, selados e arquivados em alguma gaveta do tribunal. Seis meses desde que ouvi Ethan Walker dizer meu nome, senti sua presença em minha vida ou me permiti pensar nos anos que passamos construindo algo que, no fim, desmoronou. Eu me convenci de que aquele capítulo estava encerrado, que qualquer futuro que nos aguardasse seria escrito sem ele.
Mas a vida tem uma maneira de se recusar a seguir as narrativas claras que criamos para nós mesmos.
Eu jamais imaginei que ouviria a voz dele novamente. Muito menos deitada em uma cama de hospital no Northwestern Memorial, em Chicago, com o corpo ainda dolorido pelo parto, a mente turva pelo cansaço e minha filha recém-nascida dormindo tranquilamente em seu berço ao meu lado. E lá estava eu, encarando a tela do meu celular enquanto o nome dele aparecia, meu polegar no botão que enviaria a chamada direto para a caixa postal.
Todo o meu ser queria ignorar aquilo. Deixar a ligação se dissipar no silêncio e continuar construindo o muro que nos separava há meio ano. Mas algo me impediu. Talvez fosse curiosidade. Talvez fosse a vulnerabilidade de ter trazido uma nova vida ao mundo poucas horas antes. Talvez eu simplesmente não estivesse pensando com clareza.
Seja qual for o motivo, respondi.
O convite que não fazia sentido.
Minha voz saiu mais rouca do que eu pretendia, exausta pelo cansaço e pelo desgaste físico do parto. Não me dei ao trabalho de usar palavras gentis. “Por que você está ligando?”
Do outro lado da linha, Ethan parecia quase alegre. Leve. Descontraído. Como se fôssemos velhos amigos colocando o papo em dia tomando um café, em vez de duas pessoas cujo casamento havia desmoronado em meio a acusações e honorários advocatícios. Ele falava como se os últimos seis meses de silêncio não tivessem passado de uma breve pausa em uma relação que, de resto, era amigável.
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