Não era um sorriso nervoso. Nem um pedido de desculpas. Era um sorriso repleto de memórias, um sorriso que fazia as pessoas pararem sem entender o porquê.
Por um breve instante, Charles sentiu um aperto no peito. Um aviso. Cuidado. Ele ignorou.
Dois seguranças se aproximaram, visivelmente desconfortáveis.
“Senhora”, disse um deles gentilmente, “o Sr. Hayes pediu que a acompanhássemos até a saída”.
O olhar de Margaret se tornou mais penetrante. Ela havia crescido na década de 1940. Ela entendia perfeitamente o que “acompanhar ao ar livre” significava naquela época.
“Eu nunca disse que ia embora”, respondeu ela em voz baixa. “Eu disse que queria verificar meu saldo.”
Charles riu novamente, mais alto. “Viram?”, anunciou. “É para isso que serve a segurança: para pessoas confusas tentando usar serviços que não entendem.”
Uma mulher rica que estava por perto, Catherine Vance, ergueu sua bolsa de grife para disfarçar um sorriso.
“Coitada”, disse em voz alta. “Provavelmente Alzheimer. Minha empregada era assim.”
Então Margaret riu.
Não com delicadeza. Não com crueldade. Profundamente. Sua voz ecoou pelo salão de mármore.
“Alzheimer?”, disse ele calmamente. “É interessante, porque me lembro muito bem de trabalhar quatorze horas por dia limpando o escritório do seu avô em 1955.”
O saguão ficou em silêncio.
Charles ficou tenso. Sua família era dona do banco desde 1932. Pouquíssimas pessoas sabiam detalhes pessoais sobre seu avô.
“Com licença?”, disse ele, repentinamente incerto.
“Eu tinha quinze anos”, continuou Margaret. “Trabalhava depois da escola para que minha mãe e eu pudéssemos ter o que comer. Meu avô costumava deixar cigarros acesos no chão de mármore, só para ver se eu reclamaria.”
Ela olhou-o nos olhos. “Eu nunca fiz isso. Precisávamos do dinheiro.”
Janet engoliu em seco.
“Lembro-me dele me dizendo que pessoas como eu deveriam ser gratas por servir pessoas como ele”, acrescentou Margaret. “Ele disse que era o nosso lugar.”
Ele sorriu tristemente. “É curioso como os costumes são transmitidos de geração em geração, não é, Sr. Hayes?”
O rosto de Charles ficou vermelho. Gotas de suor começaram a se formar em sua testa.
“São apenas histórias”, murmurou ele. “Qualquer um poderia inventá-las.”
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