Camila sustentou o olhar dele com uma calma que disfarçava sua angústia interior. “Não estou apenas insinuando, Meritíssimo, estou afirmando como um fato, e posso provar.” O oficial de justiça hesitou antes de se aproximar para pegar seus documentos, mas parou ao ver que dezenas de celulares já estavam transmitindo a cena ao vivo. Ortega se levantou furioso, gritando: “Objeção! Isto é um circo!”
“É um circo quando um promotor esconde provas para salvar as aparências”, retrucou Camila, elevando a voz. Nesse instante, o tribunal irrompeu em murmúrios, e o que parecia uma simples audiência preliminar transformou-se em um campo de batalha onde uma menina de 14 anos começou a desmantelar, peça por peça, a farsa construída contra seu pai.
A juíza Montgomery ordenou silêncio, mas sua voz se perdeu em meio aos murmúrios crescentes e às câmeras dos celulares que já transmitiam ao vivo para milhares de espectadores. O promotor Ortega, com o rosto vermelho de raiva, inclinou-se sobre a mesa e bradou: “Isso é inaceitável! Ela é uma criança brincando de ser advogada!” Camila deu um passo à frente até ficar diante dele, tão pequena em estatura, mas imponente em presença.
O que é inaceitável, senhor promotor, é que o senhor pretenda prender um inocente com provas forjadas. O que é inaceitável é que o senhor ignore o fato de que pelo menos três cartões de acesso diferentes entraram na mesma sala naquela noite. O senhor quer que eu os nomeie agora, ou prefere esperar que um tribunal federal o faça? Um silêncio pesado se instalou.
Ortega piscou incrédulo, e o juiz o observou desconfortavelmente, ciente de que a garota tinha razão. Camila não deu trégua. “Você alega que as câmeras misteriosamente apresentaram defeito, mas coincidentemente apenas na área restrita que incrimina meu pai. O que aconteceu com as outras 40 câmeras do prédio? Por que todas estavam funcionando, exceto aquelas cinco? Isso não é coincidência; é manipulação.”
Um murmúrio de aprovação surgiu da galeria. Hector, ainda algemado, não conseguiu conter uma lágrima que lhe escorreu pelo rosto. A coragem de sua filha era mais forte do que qualquer corrente. Ortega tentou retomar o controle. “Objeção. Você está inventando teorias sem fundamento.” Camila pegou um envelope de papel pardo e o colocou sobre a mesa de provas.
Aqui não há espaço para teorias, senhor promotor. Há depoimentos sob juramento e registros de segurança. O senhor não investigou porque não se importou. Para o senhor, meu pai é apenas um zelador descartável, mas para mim, ele é inocente, e eu vou provar isso, mesmo que me custe tudo. A plateia irrompeu em aplausos, e a juíza, com o martelo erguido, soube que a batalha que tentava controlar já havia escapado de suas mãos.
O murmúrio na sala transformou-se num zumbido ensurdecedor quando Camila abriu o envelope de Manila e desdobrou vários documentos cuidadosamente organizados. Com passos firmes, dirigiu-se para a tela destinada a exibir as provas, auxiliada por um oficial de justiça trêmulo que já não sabia se a prendia ou a ajudava. Ela conectou um pen drive.
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