Meu tio tinha acabado de sair da prisão, e enquanto toda a família lhe virava as costas, apenas minha mãe lhe abriu os braços para recebê-lo.

Meu tio tinha acabado de sair da prisão, e enquanto toda a família lhe virava as costas, apenas minha mãe lhe abriu os braços para recebê-lo.

Eu não entendi completamente, então apenas ri.

Algum tempo depois, a vida nos reservou outro golpe: perdi meu emprego e minha mãe ficou gravemente doente. As dívidas dos remédios dela estavam nos sufocando. Certa noite, sentado no escuro, eu pensava em vender a casa quando meu tio se aproximou. Ele ficou em silêncio e me disse com voz calma:

“Quando meu irmão morreu, sua mãe foi a única que me aceitou. Agora é minha vez de retribuir a gentileza dela. Prepare-se e venha comigo. Não faça perguntas.”

No dia seguinte, ele nos levou em seu carro velho.
Viajamos por uma estrada que subia pelas montanhas até chegarmos a uma vasta extensão de terra cercada por árvores. No centro, havia uma casa de madeira simples, rodeada de flores.

“De quem é isso, tio?”, perguntei.
“Nossa”, respondeu ele. “É para a família.”

Depois de sair da prisão, ele trabalhou em vários lugares, economizando aos poucos até conseguir comprar aquele terreno. Durante dez anos, ele o cultivou, construiu a casa, mas nunca contou a ninguém.
Minha mãe chorou, e eu a abracei, sem conseguir dizer uma palavra.

“Tio, por que o senhor não usou esse dinheiro para si mesmo?”, perguntei.
“Não preciso de muito”, respondeu ele. “Aprendi que, quando cometemos um erro, tudo o que precisamos é de alguém que ainda acredite na nossa bondade. Esta é a minha maneira de retribuir essa confiança.”

Os dias se passaram. Mamãe se recuperou, talvez graças ao ar puro e às frutas doces do pomar. Eu ajudava a vendê-las aos viajantes.
Eles diziam: “Estas frutas têm um sabor diferente, mais doce”.
Meu tio sorria e respondia:

—Porque foram semeadas com gratidão.

Um dia, encontrei uma velha caixa de madeira num canto da casa.
Gravadas na tampa estavam as palavras: “Se você está lendo isto, significa que agora estou em paz”.
Abri a caixa. Dentro havia a escritura do imóvel em meu nome e uma carta:

“Não sou boa com as palavras, por isso plantei sementes. Obrigada a você e à sua mãe por não me rejeitarem quando todos os outros o fizeram. Não tenha medo de errar; tenha medo de perder a bondade do seu coração.”

Não consegui terminar de ler… as lágrimas me impediram.

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