Após o beijo obrigatório, irromperam aplausos. Pétalas brancas, celulares erguidos, parabéns. “Que casal perfeito!”, repetiam.
Durante a sessão de fotos, Rafael se inclinou e sussurrou algo satisfeito para ela:
“Tudo está indo melhor do que eu imaginava.”
Camila assentiu com a cabeça.
“Sim”, ela respondeu. “Muito melhor.”
E pela primeira vez desde que ouvira aquilo entre as palmeiras, ela percebeu que não era mentira.
Na recepção, sob uma tenda transparente, Camila circulava entre tios, sócios e amigos com uma precisão quase cirúrgica. Ela ria, brindava e expressava sua gratidão. Enquanto isso, observava Rafael à distância: ele não estava comemorando, mas sim analisando tudo. Aproximava-se dos executivos do pai, fazia-lhes perguntas demais, analisava rotas, margens e possibilidades de expansão.
E Camila percebeu outra coisa: Rafael não era apenas ambicioso… ele estava com pressa. A pressa de quem está encurralado.
Naquela noite, quando o jardim estava repleto de música e as pessoas dançavam despreocupadamente, Camila tomou sua decisão final.
Ela não o confrontaria ainda. Primeiro, ela entenderia tudo: dívidas, mentiras, emergências, cúmplices. Se Rafael acreditasse ter se casado com uma mulher ingênua, Camila permitiria essa ilusão porque, às vezes, o melhor momento para agir é quando a outra pessoa está convencida de que já venceu.
Na manhã seguinte, a mansão dormia num silêncio artificial. Camila levantou-se antes do amanhecer e procurou a única pessoa em quem confiava plenamente: sua irmã mais nova, Marina Acevedo, estudante de direito, observadora e perspicaz.
Na cozinha, longe de ouvidos curiosos, Camila contou-lhe o essencial. Sem lágrimas, sem drama. Apenas os fatos.
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