Durante oito longos anos, Elena recusou-se a aceitar a palavra “desaparecida” como definitiva. Juntou-se a grupos de busca, viajou para cidades distantes seguindo pistas anônimas e distribuiu panfletos por onde passava. Cada um trazia o rosto sorridente de Sofia ao lado de uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, como se a própria fé pudesse transpor a distância entre elas. Visitou abrigos, hospitais e até prisões, perguntando se alguém tinha visto uma menina parecida com sua filha. A maioria das pessoas era gentil. Algumas eram cruéis. Muitas eram indiferentes. Cada pista falsa a esmagava um pouco mais, mas ela sempre encontrava um jeito de se reerguer. Para ela, esperança não era otimismo. Era uma teimosa sobrevivência. Dizia a si mesma que, enquanto vivesse, continuaria procurando. Sofia nunca havia morrido em seu coração. Ela simplesmente estava em algum outro lugar, esperando para ser encontrada. Com o tempo, a cidade ao seu redor mudou. Novos prédios foram construídos, lojas antigas fecharam e os vizinhos se mudaram. Elena continuou trabalhando, assando conchas e empanadas antes do amanhecer, atendendo os clientes com sorrisos gentis e guardando uma pequena parte de seus ganhos para “o fundo de busca”, como ela chamava. Depois de alguns anos, as pessoas pararam de perguntar sobre Sofia. Elas presumiam que a ferida havia cicatrizado. Estavam enganadas. Ela simplesmente havia aprendido a se esconder.
Numa manhã escaldante de abril, Elena estava sentada na porta de sua padaria.
E ela se abanou com um jornal velho. O calor impregnava tudo, tornando pesado até os movimentos mais simples. O movimento estava fraco, e ela observava a rua com os olhos semicerrados. Uma velha caminhonete parou e fez um barulho alto. Vários jovens saíram, rindo e brincando, claramente trabalhadores em horário de intervalo. Eles entraram na loja para comprar água e pão. Elena os cumprimentou automaticamente, com a mente em outro lugar, até que algo lhe chamou a atenção. Um dos homens levou a mão à carteira, levantando levemente o braço direito. Foi então que ela viu. Em sua pele, estava o retrato de uma menina. Não era grande nem detalhado, apenas um desenho simples, mas a deixou sem fôlego. Rosto redondo. Olhos brilhantes. Cabelo trançado. O sorriso inclinado. O coração de Elena disparou. Sua visão ficou turva. Ela se agarrou ao balcão para se equilibrar, com medo de desmaiar. Era Sofia. Não uma semelhança. Não algo parecido. Era o rosto de sua filha, capturado em linhas e sombras. Suas mãos começaram a tremer tão violentamente que ela quase deixou cair o copo d’água que segurava. A loja pareceu desaparecer, substituída por lembranças: Sofia rindo na praia, Sofia dormindo com sua boneca, Sofia correndo em sua direção de braços abertos. Lágrimas ardiam nos olhos de Elena, mas ela se obrigou a respirar. Isso não podia ser coincidência. Não podia ser imaginação dela. Depois de oito anos de busca, o destino havia colocado algo impossível diante dela.
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