Deixei uma mãe e seu bebê ficarem na minha casa dois dias antes do Natal — e na manhã de Natal chegou uma caixa com meu nome.

Deixei uma mãe e seu bebê ficarem na minha casa dois dias antes do Natal — e na manhã de Natal chegou uma caixa com meu nome.

Não com uma briga ou um adeus — apenas um desaparecimento gradual. Menos mensagens. Ligações perdidas. Visitas canceladas. Até que um dia, percebi que ele não perguntava pelas meninas havia semanas.

Agora só restamos nós dois.

Eu trabalho em um hospital.
Planejo minhas idas ao supermercado como se fossem missões de alto risco.

Eu sei qual loja tem os preços mais baixos do leite, qual pão matinal está em promoção e como fazer um pacote de carne moída render para três jantares.

Aprendi a desentupir ralos, religar disjuntores e fazer nosso aquecedor antigo funcionar.

Em alguns dias, me sinto forte e capaz.
Em outros, parece que se mais uma coisa quebrar, eu posso simplesmente desabar no chão da cozinha e ficar lá para sempre.

O único colchão de segurança que temos é a casa.

Pertencia aos meus avós.
É pequena, barulhenta e o revestimento já viu décadas melhores, mas valeu a pena.

O fato de não termos hipoteca é o motivo pelo qual ainda estamos à tona.

Duas noites antes do Natal, eu estava dirigindo para casa depois de um turno noturno.

Aquele cansaço profundo e profundo havia se instalado — aquele tipo de cansaço que faz os olhos arderem e tudo parecer um pouco irreal.

Já estava escuro.
As estradas brilhavam com uma fina camada de gelo que parecia inofensiva, mas era tudo menos isso.

Uma suave música natalina tocava no rádio enquanto meu cérebro repassava sua cansativa lista de tarefas.

Embrulhe os presentes.
Esconda os presentinhos de Natal.
Lembre-se de mover o elfo idiota.

Minhas filhas estavam na casa da minha mãe.

Eles tomaram chocolate quente, comeram biscoitos de açúcar e assistiram a muitos filmes natalinos.

Na minha mente, eu os imaginava dormindo em pijamas de flanela, com as bochechas rosadas e a boca entreaberta de sono.

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