Após 7 anos, milionário vê sua ex em um casamento — e a garotinha ao lado dela o deixa chocado!
O grande salão de baile do Hotel Bahía Esmeralda, na Riviera Maya, cintilava como se alguém tivesse decidido pendurar estrelas no teto. Lustres de cristal, cortinas de seda que caíam suavemente como cascatas e o murmúrio elegante de risos preenchiam o ar, com taças nas mãos.
Mariana Ortega alisou seu vestido verde-esmeralda assim que cruzou a porta. Ela não estava nervosa com o casamento em si — Raquel, sua melhor amiga da faculdade, finalmente ia se casar. Ela estava nervosa com o lugar, com todos os olhares, com o mundo para o qual jurou nunca mais voltar.
E, acima de tudo, por causa do fantasma que ele sabia que poderia existir em uma lista de convidados.
—Mamãe… olha todas essas flores— disse Renata, puxando delicadamente a mão dela, com os olhos arregalados de espanto.
Renata tinha seis anos. Vestido turquesa, tranças com fitas brancas e aquela energia que não pede permissão: simplesmente existe.
Mariana se abaixou e ajeitou uma mecha de cabelo.
—Lindos, não são, meu amor? Lembra… nós encontramos a tia Raquel primeiro, não é?
Renata assentiu com a cabeça… e então viu o que realmente importava: uma fonte de chocolate na mesa de sobremesas, brilhando como um feitiço.
“CHOCOLATE!” ela gritou e saiu correndo.
“Renata, espere!” Mariana abriu caminho entre os convidados, pedindo desculpas e desviando de vestidos longos e ternos escuros.
E então aconteceu.
Renata esbarrou de frente nas pernas de um homem alto, quase o derrubando. Ele reagiu rapidamente: segurou-a firmemente pelos ombros antes que ela caísse.
“Cuidado, meu pequeno…” disse ela com um sorriso automático.
O sorriso desapareceu do seu rosto.
Mariana sentiu o ar lhe faltar no peito mesmo antes de vê-lo cara a cara. Porque aquela voz… aquela voz é inesquecível.
O homem olhou para cima e lá estava ele: Diego Salgado.
Terno azul-marinho sob medida, ombros largos, o tipo de físico que as revistas chamam de “sucesso”. Aos trinta e dois anos, ele havia se tornado o que sua família sempre desejou: rico, intocável, dono de um império tecnológico que já não cabia em uma única cidade.
Mas Mariana se lembrou de outro Diego. Aquele que ria alto. Aquele que sonhava com viagens de carro. Aquele que cozinhava ao som de música e a abraçava por trás na pequena cozinha do apartamento deles.
Diego olhou para Renata como se estivesse vendo uma resposta escrita no rosto de uma menina.
Olhos escuros. A leve covinha na bochecha esquerda. O jeito como ela erguia as sobrancelhas quando algo despertava sua curiosidade.
Era como se estivesse olhando para si mesmo… em miniatura.
—Obrigada, senhor— disse Renata, muito educadamente, exatamente como Mariana a havia ensinado. —Posso entrar? Quero chegar ao chocolate.
Diego não respondeu. Seu olhar se elevou lentamente… e encontrou o de Mariana.
Ela perdeu a cor do rosto.
—Mariana… —ele sussurrou, como se pronunciar o nome dela lhe causasse dor.
Ela sentiu sete anos de fuga desabarem sobre ela como uma onda.
“Diego”, respondeu ele, com uma firmeza que não sentia.
A música continuou. As pessoas continuaram. O mundo continuou girando. Mas naquele canto da sala, o tempo parou.
“Quem é?” perguntou Diego, embora sua voz já carregasse o peso de alguém que sabia.
Mariana colocou uma mão protetora no ombro da filha.
—Esta é Renata… minha filha.
Diego engoliu em seco.
“Quantos anos você tem, Renata?”, perguntou ele, ajoelhando-se para ficar à altura dela.
—Seis… e farei sete em novembro — respondeu ele, orgulhoso—. Dia dezessete.
Diego fez as contas com os olhos. Novembro. A última noite. A viagem a Tóquio. O silêncio. O vazio.
“Antes de você nascer…” murmurou ele, quase para si mesmo.
Renata inclinou a cabeça.
—Mãe, você conhece esse homem?
Mariana sentiu um nó na garganta.
—Nos conhecemos há muito tempo, meu amor… antes mesmo de você nascer.
Diego se levantou sem desviar o olhar de Mariana.
—Precisamos conversar.
“Aqui não”, disse Mariana, olhando em volta. “Não no casamento da Raquel.”
“A Raquel sabia?” A voz de Diego se elevou, depois recuou. “Ela sabia que você ia estar lá? Ela sabia que eu ia?”
Mariana apertou os lábios. Sim. Raquel a advertiu. Raquel insistiu. “Você não pode se esconder para sempre.”
Como se esconder tivesse sido um capricho e não uma questão de sobrevivência.
Naquele instante, Raquel surgiu como uma salvadora em um vestido branco, radiante, mas com olhar atento.
—Ah… eles já se encontraram — disse ela, e seu sorriso mal vacilou.
“Isso foi de propósito?” Diego a encarou com raiva. “Você planejou isso?”
—Eu planejei um casamento, Diego — respondeu Raquel diplomaticamente. — O resto… depende de você.
Raquel pegou Mariana pelo braço.
—Venha comigo até a suíte por um minuto, por favor. Renata pode ficar na área infantil. Tem biscoitos, suco…
Renata fez beicinho.
—Mas eu queria chocolate.
Diego se abaixou novamente, e sua voz mudou: ele deixou de ser o homem de negócios e se tornou… algo caloroso.
—Vou te trazer um chocolate, tá bom? Prometo.
Renata olhou para ele com a seriedade de uma juíza mirim.
-Realmente?
-Realmente.
Ela assentiu com a cabeça.
—Ok… mas faça bastante.
“Vai ser muita coisa”, disse Diego, engolindo a emoção.
Mariana estava com o coração partido.
Assim que Renata se afastou com a assistente de casamento, Diego se virou para Mariana.
“O terraço do jardim. Cinco minutos”, ordenou ele. “Não me importa se você gosta ou não. Vamos conversar.”
Ele saiu sem esperar por uma resposta.
Raquel apertou a mão de Mariana.
—Você sabia que esse dia chegaria.
“Eu não estava preparada”, admitiu Mariana, com a voz trêmula.
—Vocês tiveram sete anos. Já está na hora. Aquela garota merece saber. E ele… ele merece a verdade.
Mariana soltou uma risada amarga.
—Ela tinha uma mãe que ameaçava tirá-la de mim.
Raquel baixou a voz.
—Diego não a deixa mais comandar nada. Ele a expulsou dos negócios há três anos, quando descobriu que ela estava manipulando seus relacionamentos. E… Mariana… ele te procurou. Ele nunca desistiu.
A notícia o atingiu como um soco no estômago.
O terraço dava para o mar, um horizonte azul-escuro onde o pôr do sol era deslumbrante. Diego estava de costas para ele, agarrando-se ao parapeito com os nós dos dedos brancos.
“É meu”, disse ele sem se virar. “Isso não está em questão.”
Mariana sentiu a garganta fechar.
-Sim.
Diego se virou bruscamente. Seus olhos brilhavam com uma mistura de fúria e dor.
—Sete anos. Você me manteve longe da minha filha por sete anos.
“Sua mãe me deu quinhentos mil pesos e mandou eu desaparecer”, disparou Mariana, finalmente extravasando sua raiva. “Ela me disse que se eu não aceitasse, ela ia me destruir. Ela tinha documentos prontos para ‘provar’ que eu era uma mãe inadequada. Testemunhas, mentiras, tudo.”
Diego permaneceu imóvel.
—Minha mãe fez… o quê?
Mariana olhou para ele, procurando por cinismo. Encontrou genuíno espanto.
“Pensei que você tivesse me deixado”, disse Diego, com a voz embargada. “Voltei de Tóquio e seu apartamento estava vazio. Seu celular estava sem bateria. Seus amigos… me disseram que você tinha ido ‘a trabalho’. Eu… te procurei desesperadamente.”
“Ela me mostrou mensagens ‘suas’”, disse Mariana, com os olhos marejados. “Disseram que eu não era suficiente. Que eu era uma distração. Que sua família vinha em primeiro lugar.”
“Eu nunca enviei isso”, sussurrou Diego, dando um passo à frente. “Mariana… eu ia te pedir em casamento quando voltasse.”
Ele enfiou a mão na sacola, tremendo, e tirou algo pequeno: uma caixinha gasta, como se a tivesse guardado por muito tempo.
Mariana levou a mão à boca.
—Eu tinha o anel… e você tinha ido embora.
O mundo estava repleto de possibilidades perdidas.
“Eu estava grávida de dois meses quando fui embora”, disse Mariana, com a voz embargada. “E um mês depois do nascimento de Renata, os advogados da sua mãe me encontraram em Guadalajara. Mais ameaças. Mais dinheiro. Mais medo.”
Diego cerrou os punhos, mas sua raiva não era dirigida a Mariana: era dirigida ao passado.
—Ela destruiu tudo…
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