O que aquela garota está fazendo na primeira classe?
A senadora Rebecca Hartwell encarou a menina negra de doze anos sentada na poltrona 2B como se alguém tivesse jogado lixo no couro. Sua mão com unhas impecáveis apertava a alça da bolsa de fraldas de grife. Em seus braços, seu filho de onze meses, Andrew, chorava incessantemente.
“Esses assentos são sempre confusos”, ela murmurou em um tom de voz tão agudo que toda a cabine pôde ouvi-la. “Sempre tem gente tentando entrar sem ser notada. Tirem ela dessa seção.”
A garota ergueu os olhos do tablet, sua voz calma, porém firme.
“Senhora, meu bilhete é…”
“Não me interessa a sua história.” A risada de Rebecca foi feroz. “Você acha que eu sou idiota? Uma garota como você na primeira classe? Você deveria estar lá no fundo, em algum lugar. Não vou ficar aqui fingindo que isso faz sentido.”
Mas então, um instante depois, o corpo de Andrew desabou estranhamente em seus braços. Seus lábios começaram a empalidecer. Sua respiração tornou-se superficial e irregular.
“Alguém ajude meu bebê!”, ela gritou.
A garota do assento 2B desabotoou o cinto de segurança, seu olhar repentinamente fixo e penetrante.
“Eu posso ajudá-lo”, disse ele.
O rosto de Rebecca se contorceu numa mistura de terror e raiva.
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