—Mãe, já são 9h30.
As mãos de Valeria Martinez tremiam enquanto ela pressionava o tecido do uniforme contra a testa ensanguentada da mulher.
O asfalto frio no coração do Centro Histórico da Cidade do México machucava seus joelhos, mas essa dor era insignificante comparada ao que realmente o incomodava:
A entrevista.
Hospital Ángeles Roma, sua única chance.
—Senhora, pode me ouvir? Preciso que fique comigo.
A mulher mais velha piscou, desorientada.
Suas roupas elegantes — um casaco de lã que provavelmente custava mais do que o aluguel mensal de Valeria em Iztapalapa — contrastavam brutalmente com a poeira da parede de tijolos ao lado da qual ela havia desmaiado.
—Não… não me lembro.
—Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. A ambulância já está a caminho.
Sofia, agarrada ao braço da mãe, tinha olhos grandes demais para seu pequeno rosto de sete anos.
—Mãe, a moça do hospital disse que se você chegar atrasada…
—Eu sei, meu amor.
Valéria fechou os olhos por um segundo.
Três anos estudando enfermagem à noite no CONALEP.
Inúmeras jornadas duplas de trabalho limpando escritórios no bairro de Juárez.
Tudo para conseguir aquela entrevista no Hospital Roma de Ángeles.
Um emprego que lhes desse estabilidade. Um salário fixo. Plano de saúde.
O emprego que permitiria a Sofia frequentar uma escola pública melhor no bairro de Narvarte.
O trabalho que significava não precisar mais contar cada centavo no supermercado.
E agora… estava escapando por entre seus dedos como água.
—Mas sua entrevista é às 9h30, mãe.
—Já são 9h35.
As lágrimas ameaçaram transbordar, mas Valeria as conteve.
Nunca na frente de Sofia. Nunca na frente de Sofia.
-Onde estou?
A voz da mulher mais velha soava frágil, assustada.
Onde está meu filho?
—Vai ficar tudo bem, senhora. A equipe médica já está a caminho.
Valéria examinou o ferimento novamente.
Não foi nada profundo, mas a desorientação foi preocupante.
Um golpe na cabeça pode ser grave.
Do outro lado da rua, Alejandro Salgado observava a cena com o coração acelerado.
Sua mãe, Dona Mercedes Salgado, estava no chão com sangue na testa.
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